A vitória do Brasil por 3 a 0 sobre a Escócia, em Miami, saiu do gramado e caiu direto na pista. Depois do jogo, o senador Romário, do PL do Rio de Janeiro, apareceu em vídeos dançando no palco de uma boate nos Estados Unidos. O tetracampeão, hoje parlamentar e comentarista da Copa pela CazéTV, virou assunto não pelo faro de gol, mas pelo rebolado político — sempre mais perigoso que carrinho por trás.
O ponto central da polêmica não é a dança. É o mandato. Romário viajou para acompanhar o Mundial, mas não se licenciou do Senado. A justificativa apresentada é que a Casa funciona em regime semipresencial no período, permitindo participação remota em sessões e votações. Na prática, o senador permanece em exercício, com gabinete funcionando, enquanto concilia a atividade parlamentar com a cobertura esportiva e a vida noturna em Miami.
O caso já vinha sendo acompanhado pelo DFMobilidade, que mostrou que Romário não se licenciou do Senado para trabalhar na Copa. Também antes da partida, o portal registrou que o Brasil precisava apenas de um empate contra a Escócia para avançar na Copa. A Seleção fez mais que isso, venceu bem, garantiu a liderança do grupo e, de quebra, empurrou Romário para outro tipo de manchete.
Nas redes, a ironia veio pronta: “Político merece ganhar mais! Tragam a urna”. A frase resume o incômodo de parte do público com uma cena que mistura salário parlamentar, trabalho privado, Copa do Mundo e balada internacional. Romário segue com o crédito eterno de 1994, mas mandato público não tem prorrogação, VAR emocional nem replay seletivo. No plenário ou em Miami, a cobrança vem no placar mais duro da política: a opinião do eleitor.




