A carta enviada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve peso maior do que uma resposta diplomática protocolar. Ao agradecer a visita do parlamentar a Washington e reconhecer o apoio de Flávio à classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, Rubio deu ao senador um ativo político: o sinal de que a pauta levada por ele aos Estados Unidos foi ouvida no alto escalão do governo Trump.
O gesto não significa recuo automático no tarifaço, mas muda o enquadramento político da crise. Rubio reafirmou que Washington mantém críticas a práticas brasileiras em comércio digital, pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Ao mesmo tempo, apontou o caminho institucional do USTR, com consulta pública e audiência, como espaço para discutir a proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Para Flávio, a carta funciona como chancela de interlocução. O senador tenta se apresentar como ponte com Washington em temas sensíveis para o Brasil, enquanto o governo Lula reage entre discursos de soberania e desconforto diplomático. O DFMobilidade já havia mostrado essa ofensiva em Flávio tenta barrar tarifaço dos EUA e blindar o Pix e também em Flávio leva pauta do crime organizado a Washington e amplia pressão sobre Lula.
Na prática, Rubio entregou a Flávio um reconhecimento que o Planalto gostaria de evitar: o senador passou a ser tratado como interlocutor relevante em uma agenda que mistura comércio exterior, segurança pública e eleição de 2026. A tarifa ainda depende do processo americano, mas o recado político já cruzou a fronteira. Enquanto Lula tenta administrar a crise no grito, Flávio colhe a carta — e, em política, às vezes um envelope vale mais que um palanque inteiro.





