UE prepara redistribuição de combustível de aviação em meio ao colapso na demanda global de petróleo

Foto: reprodução do X
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As maiores empresas de comércio de energia do mundo alertaram que a guerra envolvendo o Irã já cortou cerca de 4 milhões de barris por dia da demanda global de petróleo.

Especialistas do setor, incluindo executivos do Vitol Group e do Gunvor Group, projetam que esse volume pode chegar a 5 milhões de barris diários em maio caso o Estreito de Ormuz continue bloqueado.

Essa retração representa 5% da oferta mundial e eleva o risco de uma recessão econômica global, marcando um ponto de inflexão crítico na economia.

A interrupção das rotas no Oriente Médio atingiu o continente asiático com força total, visto que países como Japão e Coreia do Sul chegam a importar entre 70% e 90% de seu petróleo da região.

Para lidar com o choque de oferta, governos locais acionaram protocolos de contenção severos:

  • Sri Lanka: Retomou o racionamento de combustível via QR code e transformou as quartas-feiras em feriado nacional para poupar energia.

  • Filipinas: Reduziu a jornada de servidores públicos para quatro dias úteis por semana.

  • Paquistão e Vietnã: O governo paquistanês fechou escolas, enquanto os vietnamitas passaram a incentivar o trabalho remoto em massa.

  • Subsídios e Controle: A Coreia do Sul tabelou os preços do petróleo, e a Indonésia destinou mais de 22 bilhões de dólares para subsidiar a energia.

Refinarias em Singapura, Japão e China também foram forçadas a reduzir o ritmo de produção, já que navios com suprimentos alternativos vindos dos EUA, Brasil e África Ocidental demoram mais de um mês para chegar aos portos asiáticos.

A onda de choque agora pressiona a Europa.

A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que o continente possui combustível de aviação suficiente para “talvez umas seis semanas”, prevendo que o cancelamento de voos se tornará uma realidade em breve.

A vulnerabilidade é alta porque cerca de 75% de todo o querosene de aviação consumido na Europa vem do Oriente Médio.

Para evitar um colapso no setor aéreo, a União Europeia já trabalha em um plano de contingência.

A estratégia do bloco inclui a redistribuição emergencial dos estoques atuais entre os países membros, havendo também a possibilidade de a Comissão Europeia obrigar legalmente as nações a manterem e compartilharem suas reservas estratégicas de querosene.

Apesar de uma prorrogação do cessar-fogo por parte dos EUA, a situação no Golfo Pérsico se deteriorou nesta quarta-feira, com a Guarda Revolucionária do Irã apreendendo dois navios e atacando um terceiro no Estreito de Ormuz.

Especialistas do mercado alertam que, mesmo que a rota seja completamente pacificada e reaberta hoje, a normalização do tráfego marítimo levará de um a dois meses apenas para liberar as quase duas mil embarcações comerciais que estão paradas aguardando passagem.

O impacto da crise é tão profundo que o mais recente relatório da AIE já prevê uma retração na demanda global por petróleo para este ano, o que configuraria o primeiro declínio anual no setor desde a pandemia de COVID-19.

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