Trump mira Lula em entrevista e chama presidente brasileiro de “muito volátil”

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Em entrevista ao programa The Axios Show, presidente dos Estados Unidos disse que “não pensa” em Lula e afirmou que “não poderia se importar menos” com o petista.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar Luiz Inácio Lula da Silva no centro de uma fala dura sobre liderança internacional. Em entrevista ao jornalista Marc Caputo, no programa The Axios Show, publicada nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, Trump foi questionado sobre chefes de Estado e citou diretamente o Brasil e o presidente brasileiro.

Ao comentar diferentes perfis de líderes mundiais, Trump afirmou que observou “o Brasil” e “o líder” que conhece “um pouco”. Em seguida, classificou Lula como uma pessoa “muito volátil”. A fala ocorreu logo depois de o republicano elogiar o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, a quem chamou de líder sólido e duro.

A declaração reforça o desgaste já acompanhado pelo DFMobilidade na cobertura da passagem de Lula pelo G7. O portal mostrou, na matéria Lula embarca ao G7 sem reunião com Trump e expõe limite da diplomacia do improviso, que o presidente brasileiro chegou ao encontro sem confirmação de reunião bilateral formal com o norte-americano. A agenda internacional tinha palco, holofote e fotografia. Faltou, como costuma ocorrer na diplomacia real, a sala fechada onde as coisas se resolvem.

Na sequência da entrevista, Marc Caputo interrompeu Trump e disse que ele não parecia ser fã de Lula. O presidente americano respondeu que não se tratava de ser ou não ser fã, mas afirmou que, honestamente, não pensa no presidente brasileiro. Trump completou dizendo que “não poderia se importar menos” e repetiu que Lula seria “muito volátil”.

O ponto mais sensível da fala foi a referência a um discurso de Lula. Trump disse ter assistido ao pronunciamento do brasileiro e voltou a usar a palavra “volátil” para descrever a postura do petista. A escolha do termo, repetida mais de uma vez, transforma a crítica em avaliação política direta sobre temperamento, estilo e capacidade de condução em ambiente internacional.

A entrevista também dialoga com outro episódio recente registrado pelo DFMobilidade. Durante o G7, Trump entrou em uma sala com líderes mundiais, incluindo Lula, e disse “eu sou o chefe”, frase tratada como brincadeira pelo republicano, mas carregada de simbolismo político. O episódio foi abordado em Trump diz “eu sou o chefe” diante de Lula e líderes mundiais no G7.

Na entrevista ao Axios, Trump voltou a falar desse momento. Questionado sobre quantos líderes acreditaram quando ele disse “eu sou o chefe”, respondeu: “todos”, antes de afirmar que estava apenas brincando. Ainda assim, a declaração ajuda a entender o contraste de estilos: Trump tenta projetar comando; Lula tenta sustentar protagonismo internacional, mas aparece, novamente, como alvo de comentário ácido do presidente americano.

O desconforto brasileiro no G7 também já havia aparecido em outro episódio. O DFMobilidade registrou, em Vídeo; “Essas coisas que eu fico puto”, diz Lula ao dar bronca em auxiliares no G7, a irritação pública do presidente com sua equipe durante a agenda internacional. A crítica de Trump, agora, adiciona pressão externa a uma viagem que o Planalto tentou vender como demonstração de liderança global.

A fala ocorre em meio a uma relação bilateral marcada por ruídos comerciais e políticos. O DFMobilidade já havia tratado desse pano de fundo em Em carta a Rubio, Flávio pede que EUA não imponham novas tarifas ao Brasil, reportagem sobre a tentativa do senador Flávio Bolsonaro de dialogar com Washington diante da ameaça de novas tarifas a produtos brasileiros.

No mesmo programa, Trump também falou sobre Irã, Cuba, Israel, inteligência artificial e poder presidencial. Mas, para o Brasil, o trecho central da entrevista foi curto e direto: Lula foi descrito como “volátil”, tratado como alguém em quem Trump diz não pensar e colocado fora do círculo de líderes elogiados pelo republicano, como Xi Jinping e Narendra Modi.

A repercussão tende a alimentar novo embate político no Brasil. Para aliados de Lula, a fala pode ser apresentada como grosseria típica de Trump. Para críticos do governo, é mais um sinal de que a diplomacia brasileira fala alto, mas entrega pouco quando confrontada com o poder real de Washington. No tabuleiro internacional, discurso inflamado pode render aplauso doméstico. Mas, quando o interlocutor é Trump, o recibo costuma vir em público.

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