O governo Donald Trump deu mais um passo para recompor sua representação em Brasília e enviou ao Brasil a consulta formal para a indicação de Daniel Perez como novo embaixador dos Estados Unidos. O gesto abre o rito do agrément, etapa em que o país anfitrião avalia se aceita o nome apresentado. Na prática, Washington tirou o assunto do balcão das intenções e colocou o Itamaraty diante de uma decisão política com verniz técnico.
Perez não é diplomata de carreira. É republicano, advogado, presidente da Câmara de Representantes da Flórida e figura ligada ao campo político de Trump. Seu nome já havia sido encaminhado pela Casa Branca ao Senado americano em 1º de junho, antes da consulta formal ao Brasil, o que fugiu da liturgia tradicional da diplomacia. Pequeno detalhe protocolar? Talvez. Mas, em relações internacionais, até a ordem dos talheres comunica alguma coisa.
O movimento ocorre num momento em que a relação entre Brasília e Washington acumula ruídos comerciais, políticos e institucionais. O DFMobilidade já havia mostrado esse desgaste na reportagem Lula embarca ao G7 sem reunião com Trump e expõe limite da diplomacia do improviso e, depois, em Trump mira Lula em entrevista e chama presidente brasileiro de “muito volátil”. A indicação de Perez, portanto, não chega a Brasília como simples troca de crachá na embaixada.
Agora, o Planalto terá de decidir se trata o caso como procedimento diplomático normal ou se transforma o indicado de Trump em mais um capítulo da queda de braço ideológica entre os dois governos. A tendência institucional é evitar confronto direto, até porque rejeitar um embaixador americano não é gesto trivial. Mas o recado está dado: Trump quer um representante político em Brasília, e Lula terá de lidar com isso sem o luxo da diplomacia de palanque.




