Espriella vence aliado de Petro e impõe guinada à direita na Colômbia

Abelardo

Advogado e empresário derrotou o senador esquerdista Iván Cepeda em disputa apertada e promete endurecer combate ao crime, reduzir o Estado e rever políticas do atual governo

A Colômbia decidiu virar a página do ciclo político aberto por Gustavo Petro. O advogado e empresário Abelardo de la Espriella, candidato da direita, venceu neste domingo, 21 de junho de 2026, o segundo turno da eleição presidencial contra o senador esquerdista Iván Cepeda, nome apoiado pelo atual presidente colombiano.

Com quase toda a apuração concluída, Espriella apareceu à frente com cerca de 49,6% dos votos, contra aproximadamente 48,7% de Cepeda. A diferença apertada confirmou o clima de polarização que marcou a campanha e transformou a eleição em uma espécie de plebiscito sobre o governo Petro.

A vitória representa uma guinada relevante na segunda maior democracia da América do Sul. Depois de eleger, em 2022, o primeiro presidente de esquerda de sua história, a Colômbia agora entrega o comando do país a um candidato que fez campanha com discurso duro contra o crime, defesa da redução do Estado e críticas diretas ao projeto político de Petro.

Espriella prometeu uma ofensiva mais rígida contra grupos criminosos, ampliação do uso das Forças Armadas no combate ao narcotráfico e construção de megapresídios. Também defendeu a revisão de políticas associadas ao governo Petro, especialmente nas áreas de segurança, energia e economia.

O resultado também tem leitura continental. A derrota de Cepeda enfraquece o campo da esquerda latino-americana em um momento em que lideranças conservadoras e liberais têm ampliado espaço em países como Argentina, Chile e Bolívia. No DFMobilidade, esse movimento regional já vinha sendo observado na matéria “Milei consolida força política e amplia base no Congresso após vitória legislativa na Argentina”, que mostrou o avanço da direita em outro ponto estratégico da América do Sul.

A eleição colombiana também reforça o peso de Donald Trump na política regional. O republicano apoiou Espriella e viu seu aliado vencer em um país considerado peça-chave para os Estados Unidos na agenda de segurança, combate às drogas e disputa de influência no continente. A relação entre Trump e líderes latino-americanos, inclusive Lula, já havia sido tratada pelo DFMobilidade em “Trump mira Lula em entrevista e chama presidente brasileiro de muito volátil” e em “Trump diz ‘eu sou o chefe’ diante de Lula e líderes mundiais no G7”.

Do outro lado, Petro e aliados questionaram inconsistências na apuração preliminar e defenderam verificação oficial dos votos. Ainda assim, a vantagem de Espriella foi reconhecida como suficiente para projetar a vitória e abrir o processo de transição. A posse está prevista para 7 de agosto, com o economista José Manuel Restrepo como vice-presidente.

A derrota de Cepeda atinge diretamente Petro, que não podia disputar a reeleição e apostou no senador para manter vivo seu projeto político. Cepeda defendia a continuidade das reformas sociais, das negociações com grupos armados e da agenda de paz conduzida pelo atual governo. A urna, porém, cobrou a fatura — e, desta vez, sem parcelamento ideológico.

A conexão entre governos e lideranças da esquerda latino-americana também já havia sido tema no DFMobilidade. Em reportagem anterior, o portal mostrou que o ex-chefe de inteligência de Hugo Chávez, Hugo “El Pollo” Carvajal, citou nomes como Lula, Petro, Evo Morales e Néstor Kirchner ao relatar uma suposta rede de financiamento ilegal ligada ao chavismo. O conteúdo pode ser lido em “Ex-chefe de inteligência de Chávez confirma rede de financiamento ilegal a líderes de esquerda, incluindo Lula”.

A partir de agora, o desafio de Espriella será transformar discurso de campanha em governabilidade. A Colômbia sai da eleição dividida, com Congresso fragmentado e uma sociedade pressionada por violência, endividamento público e crise de confiança nas instituições. Vencer Petro nas urnas foi o primeiro passo. Governar a Colômbia real será a parte menos instagramável da festa.

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