O Governo do Distrito Federal (GDF) captou R$ 1 bilhão em operação conduzida pelo BTG Pactual e pretende usar os recursos para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB). A medida faz parte do programa de recuperação apresentado ao Banco Central após os prejuízos associados às carteiras de crédito ligadas ao Banco Master.
Segundo o Metrópoles, a primeira parcela da securitização da dívida ativa do DF já entrou no caixa do governo. A expectativa da equipe econômica é cumprir, até sexta-feira, 29 de maio de 2026, ao menos 70% do plano de recuperação do BRB proposto ao Banco Central.
A operação transforma certificados da dívida ativa em papéis aceitos pelo mercado financeiro. Na prática, o GDF antecipa parte de valores que teria a receber de contribuintes inscritos na dívida ativa, oferecendo desconto ao mercado para obter liquidez imediata. A dívida ativa do DF é estimada em R$ 52 bilhões, com potencial de captação de até R$ 22 bilhões no longo prazo, segundo a explicação apresentada pelo secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, ao Metrópoles.
O reforço chega em momento decisivo para o BRB. Em aviso aos acionistas, o banco informou que o aumento de capital poderá chegar a R$ 8,817 bilhões, com subscrição mínima de R$ 536 milhões. A própria instituição justificou a medida como necessária para fortalecer a estrutura de capital, os indicadores prudenciais, o índice de Basileia e a capacidade de absorção de perdas.
A crise ganhou força depois das operações envolvendo ativos do Banco Master. Em comunicado ao mercado, o BRB informou que uma auditoria forense independente, conduzida pelo Machado Meyer Advogados com suporte técnico da Kroll, ainda estava em andamento e que relatórios parciais não representavam conclusão definitiva dos trabalhos.
O caso também passou pelo radar internacional. Em abril de 2025, a Reuters informou que o BRB havia negociado a aquisição de ativos considerados estratégicos do Banco Master, operação sujeita à análise do Banco Central. À época, a agência destacou que o Master tinha adotado estratégia agressiva de crescimento e que parte dos ativos ficaria fora da transação.
Além da capitalização, o plano de recuperação inclui reforço de liquidez. De acordo com o Metrópoles, o BRB vendeu ativos oriundos do Banco Master considerados saudáveis em operação realizada pela Quadra Capital, com previsão de recebimento de até R$ 3 bilhões até o fim deste mês.
A movimentação do GDF mostra tentativa de resposta rápida para preservar a solidez do banco público local. O desafio, agora, é transformar a engenharia financeira em confiança concreta para correntistas, acionistas, servidores e para o próprio mercado. Em crise bancária, dinheiro ajuda; transparência ajuda ainda mais.
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