Milei ataca Lula e Moraes, e Brasil chama embaixador de volta da Argentina

Foto: Javier Milei - foto do X
Foto: Javier Milei - foto do X

O governo brasileiro convocou neste domingo, 26 de julho, o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília, após declarações do presidente argentino Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes. O Itamaraty classificou as falas como uma afronta ao presidente da República, ao Poder Judiciário e à população brasileira. Bitelli deverá se reunir nesta segunda-feira, 27, com o chanceler Mauro Vieira.

 

A reação ocorreu depois de Milei participar, em São Paulo, da convenção nacional do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência. No discurso, o argentino chamou Lula de “presidiário”, acusou o governo de ser formado por “socialistas ladrões” e atacou Moraes com uma expressão ofensiva. O presidente argentino também declarou que Flávio seria o nome capaz de impedir a continuidade do petismo no poder.

 

A crítica ao ministro do Supremo ocorreu depois de Moraes impedir que Milei visitasse Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e está submetido a restrições de encontros políticos. O episódio já vinha sendo acompanhado pelo DFMobilidade, que mostrou tanto o “bloqueio judicial à visita do presidente argentino” (https://dfmobilidade.com.br/mundo/incidente-diplomatico-a-vista-stf-isola-bolsonaro-e-barra-visita-oficial-de-javier-milei/) quanto a “viagem de Milei ao Brasil para apoiar Flávio Bolsonaro” (https://dfmobilidade.com.br/noticias/milei-vem-ao-brasil-para-apoiar-flavio-encontra-tarcisio-e-deixa-lula-fora-da-agenda/).

 

Na linguagem diplomática, chamar um embaixador para consultas representa um protesto de alto nível, embora não signifique rompimento das relações. Brasil e Argentina mantêm uma parceria econômica estratégica, mas a relação política entre Lula e Milei permanece praticamente congelada, sem reuniões oficiais entre os dois presidentes. Agora, o desconforto saiu do palanque eleitoral e entrou formalmente nos corredores da diplomacia — onde as palavras costumam usar terno, mas nem por isso deixam de produzir estragos.

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