Mesmo oficializado pelo PSB, candidato não consegue transformar currículo nacional em votos, perde a disputa pelo comando da esquerda e vê crescer a especulação sobre uma candidatura proporcional
A decisão do PT de manter Leandro Grass na corrida pelo Palácio do Buriti expôs uma verdade pouco confortável para Ricardo Cappelli: faltou força eleitoral para sustentar a pose de protagonista. Na pesquisa Correio/Opinião, Cappelli aparece com apenas 4,3%, menos da metade dos 9,8% registrados por Grass e muito distante dos 32,4% da governadora Celina Leão. Em outro levantamento, marcou 4,5%; na pesquisa espontânea da Exata OP, ficou em 2,5%. Não se exige a cabeça de uma chapa apresentando números de coadjuvante.
Cappelli tentou compensar a ausência de raízes eleitorais no Distrito Federal com exposição nas redes, ataques frequentes ao governo local e a vitrine dos cargos que ocupou no governo federal. O barulho, contudo, não virou voto. Mesmo com aproximadamente R$ 39 mil investidos em anúncios digitais entre abril e julho, seu desempenho permaneceu estacionado no pelotão de baixo. O algoritmo entregou visualizações; o eleitor, até agora, não entregou confiança.
LEIA TAMBÉM
Celina abre 8,4 pontos sobre Arruda e assume liderança isolada na corrida pelo Buriti
Celina lidera corrida ao GDF em dois cenários e impõe novo teste aos adversários
PT e PSB transformam palanque da esquerda em ringue por poder
PT e PSB se unem no país, mas no DF a esquerda chega dividida e distante do Buriti
Arruda e Cappelli torram R$ 67 mil para impulsionar redes sociais contra Celina
TRE-DF manda Cappelli apagar vídeo falso contra Celina
O PSB oficializou Cappelli como candidato ao GDF em 3 de agosto, mas, dois dias depois, a federação formada por PT, PV e PCdoB confirmou Grass e Dora Gomes, enterrando a tentativa de uma candidatura única comandada pelo socialista. A possibilidade de Cappelli migrar para uma disputa de deputado distrital circula nos bastidores, mas ainda não foi formalizada. Caso o recuo aconteça, será menos uma traição petista e mais o reconhecimento tardio de que currículo administrativo não substitui densidade eleitoral.
A derrota política de Cappelli ocorreu antes mesmo da abertura das urnas. Ele tentou negociar como líder de um campo que não o reconheceu como líder e pediu prioridade sem apresentar votos que justificassem a exigência. O PT escolheu Grass porque, embora também esteja distante da liderança, possui desempenho superior e memória eleitoral construída na disputa de 2022. Cappelli pode insistir, naturalmente, mas os levantamentos mostram que sua candidatura ao Buriti corre o risco de servir apenas para dividir ainda mais a esquerda. Na política, currículo abre portas; voto decide quem permanece na sala.






