Celina reúne deputados do MDB para almoço decisivo sobre 2026

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A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), reúne nesta terça-feira, 23 de junho, deputados distritais do MDB para um almoço político em meio à disputa interna da legenda sobre o caminho a seguir nas eleições de 2026. O encontro ocorre no momento em que o partido tenta decidir se permanece na chapa liderada por Celina ou se abre espaço para uma candidatura própria ao Palácio do Buriti.

O convite foi direcionado à bancada emedebista na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), formada por Hermeto, Iolando, Jaqueline Silva, Wellington Luiz e Daniel Donizet. O MDB aparece, nos registros oficiais da CLDF, com cinco distritais, ao lado do bloco União Democrático, que tem seis integrantes.

Na prática, Celina chama para a mesa quem tem voto, mandato e presença diária na governabilidade local. A conversa ocorre depois de semanas de tensão entre alas do MDB-DF, especialmente após o presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz, defender a manutenção da aliança com a governadora.

O movimento reforça uma linha que o DFMobilidade já vinha acompanhando na reportagem Celina sai em defesa de Wellington Luiz e amplia pressão sobre ala rebelada do MDB-DF. À época, a manifestação da governadora foi lida como tentativa de preservar a base política e evitar que a crise emedebista contaminasse a relação entre Executivo e Legislativo.

O almoço também acontece depois de a Executiva Nacional do MDB criar uma comissão para compartilhar as decisões sobre alianças e candidaturas no Distrito Federal. Segundo nota oficial do partido, o colegiado será coordenado pelo deputado federal Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL) e terá participação de Wellington Luiz, Rafael Prudente, Newton Cardoso Jr. e Iza Arruda.

A direção nacional do MDB afirma que a comissão vai conduzir as tratativas para a formação da chapa majoritária de 2026. A nota também informa que não houve intervenção no diretório regional e que Wellington Luiz permanece com as atribuições legais de presidente do MDB-DF.

O pano de fundo é a vaga do MDB na composição majoritária. Ibaneis Rocha, que deixou o Governo do Distrito Federal em março para cumprir prazo de desincompatibilização, é tratado pela legenda como nome para o Senado. Celina assumiu o comando do GDF após a renúncia de Ibaneis e cumprirá mandato até janeiro de 2027.

O problema é que a disputa interna do MDB ampliou o ruído. Parte da legenda quer garantir protagonismo na chapa de 2026. Outra ala, mais próxima de Wellington, defende a permanência no projeto de reeleição de Celina. Como mostrou o DFMobilidade em Baleia trava MDB-DF e leva crise sobre 2026 para a direção nacional, a crise deixou de ser apenas local e passou a ser administrada pela cúpula nacional do partido.

Wellington, por sua vez, tenta se equilibrar entre a lealdade histórica a Ibaneis e a defesa da continuidade da aliança com Celina. Em entrevista ao Correio Braziliense, o presidente da CLDF afirmou que vai trabalhar pela reeleição da governadora e disse que nunca esteve em dúvida a candidatura de Ibaneis ao Senado.

Nos bastidores, cresce a leitura de que Wellington pode se tornar uma solução de acomodação para o MDB dentro da chapa de Celina. O DFMobilidade tratou desse cenário em Wellington vice de Celina vira saída para conter apetite do MDB-DF pelo Buriti, hipótese que preservaria o partido na majoritária sem entregar ao MDB o comando da disputa ao governo.

A presença dos distritais no almoço tem peso institucional. Eles compõem a maior bancada partidária isolada da CLDF e têm influência direta sobre a tramitação de projetos do governo. Em ano pré-eleitoral, uma bancada desse tamanho não é detalhe. É peça de xadrez — e, no Buriti, ninguém costuma servir almoço sem olhar o tabuleiro.

Ficaram fora do convite, segundo o Metrópoles, o deputado federal Rafael Prudente, cotado como possível nome do MDB ao GDF, e o ex-governador Ibaneis Rocha. A informação reforça que a conversa desta terça tem foco na bancada distrital e na sustentação política local, não em uma reunião ampliada da cúpula emedebista.

O gesto de Celina também precisa ser lido dentro do avanço da direita no DF. Como mostrou o DFMobilidade em Celina e Michelle puxam direita no DF, a governadora aparece como principal nome da base governista para o Buriti em 2026, enquanto o campo conservador busca evitar excesso de candidaturas no mesmo espaço político.

O almoço, portanto, vai além da cordialidade institucional. Celina tenta reduzir ruídos, manter pontes com o MDB e impedir que a disputa interna da legenda vire combustível para adversários. Em política, almoço pode até ter sobremesa. Mas, neste caso, o prato principal é poder.

 

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