Celina sai em defesa de Wellington Luiz e amplia pressão sobre ala rebelada do MDB-DF

2311720RM-31-e1736805336629

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), saiu em defesa do presidente da Câmara Legislativa e dirigente regional do MDB-DF, Wellington Luiz, em meio à crise aberta dentro do partido que governou o Distrito Federal nos últimos sete anos. A manifestação ocorreu nesta segunda-feira, 8 de junho, após um grupo de parlamentares emedebistas pedir a intervenção da Executiva Nacional na legenda local.

 

O movimento foi articulado depois que Wellington passou a defender publicamente a manutenção da aliança política em torno de Celina. A reação partiu de deputados ligados ao ex-governador Ibaneis Rocha e ao deputado federal Rafael Prudente, que tentam retirar das mãos de Wellington o comando das decisões eleitorais do MDB no DF.

 

Na prática, a crise deixou de ser apenas uma disputa interna por diretório partidário. O episódio escancarou a briga pelo controle da sucessão de 2026. De um lado, Wellington sustenta que o MDB deve reconhecer o peso político de Celina, hoje no comando do Palácio do Buriti. Do outro, o grupo rebelado quer preservar para Ibaneis a palavra final sobre o rumo da sigla, inclusive com a possibilidade de candidatura própria contra a atual governadora.

 

Segundo a apuração publicada pelo Jornal de Brasília, Celina afirmou que Wellington tem legitimidade política e eleitoral para conduzir o processo no MDB-DF. A fala da governadora funcionou como um recado direto aos insurgentes: não há vácuo de poder no Buriti, nem espaço para transformar divergência partidária em chantagem política.

 

O pedido de intervenção foi assinado por parlamentares emedebistas que contestam a condução de Wellington. O argumento central do grupo é que haveria um distanciamento político entre Ibaneis e Celina, especialmente depois da declaração da governadora de que “sucessão nunca será submissão”. A frase virou senha para a ala inconformada tentar reorganizar o tabuleiro por cima, apelando ao comando nacional da legenda.

 

Aliados de Wellington reagiram com dureza e classificaram a ofensiva como uma tentativa de golpe interno. Em nota divulgada no fim de semana, apoiadores do presidente da CLDF chamaram a articulação de “ação vil e covarde” e atribuíram o movimento a interesses eleitorais de Ibaneis Rocha e Rafael Prudente. No MDB-DF, a briga saiu da sala fechada e foi parar na vitrine. Partido rachado não precisa de adversário; costuma fazer o serviço sozinho.

 

A defesa pública de Celina também tem peso institucional. Wellington Luiz preside a Câmara Legislativa do Distrito Federal, posição estratégica para a governabilidade. Ao blindar o aliado, a governadora sinaliza que pretende preservar a base política que sustenta sua gestão e, ao mesmo tempo, impedir que a crise do MDB contamine a relação entre Executivo e Legislativo.

 

Nos bastidores, a movimentação é lida como mais um capítulo do rearranjo das forças que orbitam o Buriti. Desde que assumiu o governo, Celina deixou claro que não pretende ser apenas uma extensão administrativa do ciclo anterior. A governadora herdou a máquina, mas passou a imprimir ritmo próprio. É exatamente esse ponto que incomoda a ala do MDB que desejava manter a sucessão sob controle absoluto.

 

O embate também expõe um paradoxo. O MDB ocupou o centro do poder no Distrito Federal desde 2019, e agora parte da legenda parece ter dificuldade em conviver com a transição natural de protagonismo para Celina. A disputa não é sobre fidelidade partidária apenas. É sobre quem manda, quem herda e quem aceita ficar menor no retrato de 2026.

 

A decisão final sobre eventual intervenção caberá à direção nacional do MDB, comandada por Baleia Rossi. Até lá, Wellington tenta manter o controle regional da sigla, enquanto o grupo rebelado aposta na instância nacional para reverter o jogo. Celina, por sua vez, fez sua escolha de forma pública: ficou ao lado de Wellington e deixou claro que não pretende assistir passivamente à tentativa de enquadramento político de sua base.

 

O episódio consolida uma nova fase da pré-campanha no Distrito Federal. A disputa de 2026 começou antes do calendário eleitoral, dentro do partido que governou o DF nos últimos anos. E, pelo tom das declarações, a crise no MDB-DF ainda está longe do capítulo final.

 

Comentários

Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.