WSJ responsabiliza PCC e Brasil por avanço da cocaína no mercado global

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WSJ expõe avanço global do PCC e acende alerta sobre nova rota da cocaína

O avanço do Primeiro Comando da Capital, o PCC, voltou ao centro do debate internacional depois que o Wall Street Journal publicou, nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, uma reportagem afirmando que a facção brasileira se transformou em uma organização criminosa global, com presença em quase 30 países e influência crescente sobre as rotas do tráfico de cocaína que saem da América do Sul em direção à Europa e, cada vez mais, aos Estados Unidos. Segundo o jornal americano, o grupo nasceu nos presídios paulistas nos anos 1990 e hoje opera com estrutura descentralizada, rede internacional de aliados e métodos comparados aos de uma multinacional clandestina.

A reportagem do WSJ sustenta que o PCC deixou de ser apenas uma facção carcerária brasileira para assumir contornos transnacionais, ampliando sua atuação sobre corredores logísticos do narcotráfico e disputando espaço em mercados estratégicos fora do país. O texto aponta que a organização abastece parte do fluxo internacional de cocaína a partir de cargas que passam por países produtores vizinhos e seguem para portos relevantes, especialmente na Europa, cenário que ajudou a impulsionar apreensões recordes no continente. Dados oficiais da agência europeia de drogas mostram que os países da União Europeia registraram, em 2023, o sétimo recorde consecutivo de apreensões de cocaína, somando 419 toneladas, com Bélgica, Espanha e Holanda entre os principais pontos de entrada.

O tamanho dessa engrenagem já havia chamado a atenção das autoridades americanas. Em dezembro de 2021, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou o PCC no âmbito da Ordem Executiva 14059, criada para combater o narcotráfico global. Na ocasião, Washington classificou a facção como a organização criminosa mais poderosa do Brasil e uma das maiores da América Latina. Em março de 2024, o governo americano voltou ao tema ao sancionar um operador apontado como responsável por lavar centenas de milhões de dólares para a organização.

O diagnóstico exposto agora pelo WSJ dialoga com o que investigadores brasileiros vêm apontando há anos. O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, citado pelo próprio jornal, afirmou que o PCC se tornou um grupo verdadeiramente transnacional e o classificou como uma das organizações criminosas que mais crescem no mundo. Em ações e pronunciamentos oficiais, o MPSP já vinha destacando o caráter interestadual e internacional da facção, além do foco em asfixiar financeiramente suas operações.

No pano de fundo, o mercado internacional da cocaína segue em expansão. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, o UNODC, informou em seu relatório mundial de 2025 que a produção e as apreensões globais da droga atingiram novos recordes, com redes criminosas cada vez mais sofisticadas e interligadas. Esse ambiente ajuda a explicar por que facções com capilaridade logística, disciplina interna e poder financeiro, como o PCC, passaram a ser observadas não mais como problema local, mas como ameaça transnacional.

A nova repercussão internacional do caso reforça uma constatação incômoda: o crime organizado brasileiro já não cabe mais na velha moldura doméstica. Quando um dos jornais mais influentes do mundo trata a facção paulista como peça relevante na remodelação do fluxo global da cocaína, o recado é claro. O problema deixou de ser apenas de segurança pública interna e passou a ser, também, uma questão geopolítica, financeira e de cooperação internacional.

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