Crise de combustível derruba ações de companhias aéreas e ameaça voos na Europa

Foto: Pixabay
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A aviação europeia se prepara para enfrentar um dos verões mais complexos de sua história recente devido ao agravamento da crise global de combustível.

O fechamento quase total do Estreito de Ormuz, motivado pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, paralisou uma rota que transportava um quinto do petróleo mundial.

A tensão geopolítica foi acentuada nos últimos dias após os norte-americanos apreenderem um navio cargueiro iraniano, diminuindo as esperanças de manutenção do frágil cessar-fogo e provocando quedas expressivas nas ações de grandes companhias do setor, como EasyJet, Lufthansa, Ryanair e IAG.

A Agência Internacional de Energia emitiu alertas severos sobre o impacto do bloqueio logístico no continente, que depende do Oriente Médio para garantir setenta e cinco por cento de suas importações do insumo.

Segundo a diretoria do órgão, a Europa possui apenas cerca de seis semanas de estoque de querosene restantes, configurando a crise energética mais significativa já enfrentada na região.

Com as rotas asfixiadas, os preços do produto praticamente dobraram desde o início dos ataques, no final de fevereiro, e as vias alternativas de importação pelos Estados Unidos e Nigéria conseguem cobrir apenas metade do atual déficit de abastecimento.

O choque operacional já obriga as companhias a tomarem medidas drásticas para evitar um colapso financeiro.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo projeta que cancelamentos em massa começarão a atingir os aeroportos europeus até o final de maio.

A empresa holandesa KLM já anunciou o corte de cento e sessenta voos para o próximo mês, enquanto a Ryanair informou ao mercado que seus fornecedores só conseguem garantir a disponibilidade de combustível até meados de maio.

O cenário de incerteza fez o setor de viagens e lazer liderar as perdas nos mercados europeus nesta semana.

Embora autoridades como a Comissão Europeia tentem acalmar o mercado, afirmando que ainda não há escassez real imediata e que medidas de emergência estão sendo preparadas, especialistas alertam para os entraves logísticos inevitáveis.

Mesmo que a navegação pelo estreito fosse totalmente liberada hoje, o transporte de petróleo por navios tanqueiros leva de cinco a seis semanas para chegar à Europa.

O longo ciclo logístico e o pico natural de demanda da alta temporada de verão indicam que a escassez física e os consequentes cortes na malha aérea devem se deteriorar rapidamente a partir dos próximos trinta dias.

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