A nova sobretaxa de 25% determinada pelos Estados Unidos começa a valer em 22 de julho e atingirá milhares de mercadorias brasileiras que ficaram fora da lista de exceções. A cobrança será adicionada às tarifas já existentes, elevando para até 35% o custo de entrada de determinados produtos no mercado norte-americano. Enquanto café, carne bovina e outros itens estratégicos foram preservados, conforme mostrou o DFMOBILIDADE, setores industriais já fazem contas e alertam para cortes de produção e empregos.
Na indústria calçadista, os Estados Unidos representam cerca de 20% das exportações brasileiras. A Abicalçados estima retração de 7,1% nas vendas externas do setor e afirma que a tarifa acumulada praticamente inviabiliza novos negócios. Como grande parte dos calçados enviados aos norte-americanos é produzida sob especificações próprias daquele mercado, o redirecionamento para outros países não ocorre da noite para o dia. Empresas do Rio Grande do Sul e do interior paulista aparecem entre as mais expostas a demissões.
O sinal vermelho também foi acionado entre fabricantes de máquinas, produtores de etanol e empresas do segmento têxtil. Os Estados Unidos compraram aproximadamente US$ 3,2 bilhões em máquinas e equipamentos brasileiros em 2025. A CNI calcula que as exportações nacionais para o país já recuaram 13% no primeiro semestre de 2026, uma perda de US$ 2,6 bilhões, com queda registrada em 20 dos 27 estados. Até empresas americanas haviam advertido que uma tarifa mal calibrada poderia atingir suas próprias cadeias produtivas, como mostrou a reportagem Tesla liga luz de alerta em Washington.
Entidades empresariais ainda tentam abrir uma negociação capaz de reduzir ou suspender a medida, possibilidade admitida pela própria legislação comercial norte-americana. A Fiesp, porém, atribuiu parte da escalada aos ruídos diplomáticos, às críticas públicas contra Washington e à falta de alinhamento político entre os governos. O tarifaço, portanto, saiu do palanque e chegou à folha de pagamento: sem uma solução rápida, a indústria prevê perda de contratos, redução de investimentos e desemprego — uma conta pesada demais para ser tratada apenas com discursos.




