A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que os inquéritos que investigam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, sejam enviados para a primeira instância. A justificativa apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet é objetiva: não haveria, nos procedimentos sob relatoria de Mendonça, autoridade com foro por prerrogativa de função que justificasse a permanência das investigações no Supremo. O pedido foi apresentado logo depois de o ministro autorizar a abertura de um dos inquéritos e ainda não havia sido decidido.
A movimentação chama atenção porque ocorre justamente quando a Polícia Federal aprofundou as apurações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e pessoas ligadas a negociações com órgãos do governo federal. Uma das investigações examina tratativas relacionadas ao Ministério da Saúde e à comercialização de cannabis medicinal. A PF apontou possíveis interesses econômicos e relações entre os envolvidos, mas as suspeitas ainda estão em investigação e não representam condenação. A defesa de Lulinha nega irregularidades.
O pedido da PGR, portanto, coloca uma questão jurídica e institucional no centro do caso: se Lulinha não possui foro privilegiado, a primeira instância pode ser, de fato, o destino natural da investigação. Mas a decisão não cabe à PGR. Cabe ao ministro André Mendonça avaliar se existem elementos que justifiquem a permanência dos autos no STF, especialmente diante da existência de referências, nas investigações, a pessoas que possuem foro. Informações divulgadas nesta sexta-feira apontam que Mendonça tende a rejeitar o pedido e manter os inquéritos na Corte.
A tentativa da PGR de retirar o caso do Supremo produz, no mínimo, um efeito político incômodo: justamente quando a investigação começa a ganhar corpo, o Ministério Público quer mudar o endereço do processo. Não significa que o pedido seja ilegal ou que Lulinha tenha cometido crime — isso ainda precisa ser demonstrado pela investigação. Mas a decisão de Mendonça poderá definir se a apuração continuará sob a lupa do STF ou seguirá para a primeira instância. Por enquanto, a PGR pediu para tirar; Mendonça ainda precisa decidir — e tudo indica que a porta do Supremo continuará aberta para o caso.
LEIA TAMBÉM NO DFMOBILIDADE
Mendonça cobra dados de amiga de Lulinha no caso do escândalo do INSS
PF vê risco de fuga de Lulinha e leva suspeita ao STF
STF autoriza quebra de sigilos de filho de Lula em investigação sobre fraudes no INSS
PF indicia 48 no escândalo do INSS, mas Lulinha fica fora da primeira lista
Dino freia CPMI e suspende quebra de sigilo de Lulinha
Investigação da PF cita mesadas e passagens de Lulinha e “Careca do INSS”




