O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não compareceu nesta quarta-feira (15) à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, apesar de ter sido formalmente convocado. O colegiado decidiu encaminhar à Procuradoria-Geral da República uma notícia-crime para apurar eventual crime de responsabilidade. A Constituição determina que ministros convocados pelo Legislativo devem prestar esclarecimentos pessoalmente, salvo quando houver justificativa considerada adequada.
Vieira deveria explicar a posição do governo Lula diante da classificação, pelos Estados Unidos, do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, além de declarações do próprio chanceler sobre o risco de ações norte-americanas em território brasileiro. Os deputados também pretendiam questioná-lo sobre as tarifas de 25% impostas pelos EUA às exportações brasileiras — crise que o DFMOBILIDADE detalhou na reportagem “Tarifaço de 25% entra em vigor e expõe limite da diplomacia de Lula com os EUA”.
No horário da audiência, o chanceler participava de uma reunião com Lula no Palácio do Planalto para discutir justamente a resposta brasileira ao tarifaço. O Itamaraty alegou conflito de agenda e informou que Vieira havia sugerido comparecer entre 11 e 14 de agosto. Para o vice-presidente da comissão, Marcel van Hattem, porém, a justificativa foi “evasiva e lacônica”, pois não apontou missão oficial, doença, força maior ou impedimento legal que inviabilizasse o atendimento à convocação.
A representação agora deverá ser analisada pela PGR, que decidirá se existem elementos para abrir uma investigação. A comissão também pretende convocar novamente Mauro Vieira e o assessor internacional da Presidência, Celso Amorim, após o recesso parlamentar. Enquanto o Itamaraty tenta administrar a crise em Washington, cresce a cobrança dentro do próprio Congresso — especialmente depois de Marco Rubio atribuir ao Planalto a falta de uma negociação de boa-fé, como mostrou o DFMOBILIDADE em “Rubio aponta Lula como responsável por tarifaço”.




