Super El Niño deve deixar o DF mais quente, seco e vulnerável a incêndios

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O avanço do El Niño deverá tornar a estiagem no Distrito Federal ainda mais severa, principalmente entre o fim do inverno e a primavera. Embora o Centro-Oeste não apresente uma relação tão direta entre o fenômeno e o volume de chuvas quanto outras regiões do país, a tendência apontada pelos órgãos meteorológicos é de temperaturas acima da média, redução da umidade relativa do ar e maior persistência de massas de ar quente. A NOAA calcula em 81% a probabilidade de o episódio atingir intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro e em 97% a chance de persistir até o início de 2027.

 

Para Brasília e as demais regiões administrativas, o efeito mais imediato será o ressecamento acelerado da vegetação do Cerrado, condição que facilita o surgimento e a rápida propagação de incêndios em parques, áreas rurais, terrenos urbanos e margens de rodovias. Diante do risco, o Corpo de Bombeiros estruturou a Operação Verde Vivo para mobilizar até 900 militares exclusivamente no combate ao fogo por dia, além do efetivo regular, podendo alcançar 1,5 mil bombeiros de serviço. A estratégia inclui satélites, câmeras de longo alcance, drones térmicos e equipes extras acionadas conforme a gravidade climática.

 

A combinação de calor, poeira, fumaça e umidade muito baixa também deve pressionar a saúde pública. O ar seco resseca as mucosas, reduz a proteção natural das vias respiratórias e favorece crises de rinite, asma, sinusite e outras infecções, atingindo com maior intensidade crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. O DFMobilidade já publicou as orientações do CBMDF para o período de seca, entre elas reforçar a hidratação, evitar exercícios nos horários mais quentes e reduzir a exposição à fumaça.

 

No campo, temperaturas elevadas aceleram a perda de umidade do solo e aumentam a necessidade de irrigação, podendo afetar pastagens, hortaliças e outras culturas caso as chuvas retornem de forma tardia ou irregular. Rios e reservatórios também exigirão acompanhamento, mas ainda não há base para prever racionamento de água no DF. O impacto será gradual e deverá ganhar força nos próximos meses, enquanto o reforço da Operação Verde Vivo contra incêndios florestais tenta impedir que a paisagem seca de Brasília vire combustível — literalmente.

 

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