Governo prepara “Bolsa Tarifaço” para socorrer empresas depois que a conta diplomática chegou

Foto: Agência Brasil
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O governo Lula encontrou uma solução conhecida para enfrentar o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos: abrir novamente a carteira pública. Após não conseguir impedir a sobretaxa, o Palácio do Planalto anunciou que prepara um programa de apoio aos setores prejudicados. A iniciativa ainda não recebeu esse nome oficialmente, mas já pode ser chamada, com alguma justiça e bastante ironia, de “Bolsa Tarifaço” — o auxílio criado para remediar o estrago que a diplomacia não conseguiu evitar.

 

Geraldo Alckmin afirmou que a Lei da Reciprocidade será usada “no momento adequado” e prometeu ajuda por meio do BNDES, da ApexBrasil e da ABDI. O problema é que o governo ainda não detalhou valores, critérios ou quais empresas receberão o apoio. Enquanto a reação comercial aguarda a misteriosa “hora certa”, o socorro financeiro já vai sendo preparado — porque, em Brasília, a resposta pode demorar, mas a linha de crédito costuma chegar pontualmente.

 

O pacote deverá reeditar o Brasil Soberano, programa que já disponibilizou R$ 30 bilhões em crédito em 2025 e outros R$ 15 bilhões em março de 2026. São linhas de financiamento, não transferências diretas, mas o roteiro permanece familiar: o governo perde a disputa externa, as empresas acumulam prejuízos e o contribuinte entra em cena como fiador da conta. O DFMOBILIDADE já havia mostrado como o “governo evitou discursar na audiência pública do USTR e deixou a tarifa virar palanque” (https://dfmobilidade.com.br/mundo/governo-lula-evita-audiencia-e-deixa-tarifa-virar-palanque/).

 

A cobrança começa em 22 de julho e deve atingir cerca de US$ 11 bilhões em exportações, equivalentes a 26,2% das vendas brasileiras aos Estados Unidos, afetando especialmente setores como madeira, produtos químicos, alimentos e minerais não metálicos. Café, carne, suco de laranja e componentes aeronáuticos ficaram entre as exceções, enquanto o etanol permaneceu na lista. A relação completa pode ser conferida na reportagem “EUA poupam café e carne, mas etanol entra no tarifaço de 25%” (https://dfmobilidade.com.br/brasil/eua-poupam-cafe-e-carne-mas-etanol-entra-no-tarifaco-de-25/). No fim, a reciprocidade ficou para depois; a “Bolsa Tarifaço”, pelo visto, tem mais pressa.

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