Lula lança pacote de R$ 11 bilhões contra o crime após pressão internacional sobre facções na América Latina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta terça-feira (12), no Palácio do Planalto, o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, um pacote de ações que prevê R$ 11 bilhões para combate a facções criminosas, milícias, tráfico internacional de drogas e armas. A iniciativa surge em meio ao aumento da pressão internacional — especialmente dos Estados Unidos — para que países da América Latina endureçam o enfrentamento às organizações criminosas transnacionais.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), o programa terá quatro frentes principais: combate à lavagem de dinheiro, fortalecimento da inteligência policial, endurecimento do controle em presídios federais e ampliação das operações contra tráfico de armas e drogas.
De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou em 2025 mais de 47 mil mortes violentas intencionais, enquanto facções criminosas ampliaram atuação em rotas internacionais ligadas ao narcotráfico e mineração ilegal. Relatórios da Polícia Federal e da Secretaria Nacional de Políticas Penais apontam ainda crescimento da influência do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho em países vizinhos da América do Sul.
O governo federal informou que R$ 10 bilhões serão disponibilizados via linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os estados que aderirem ao programa. O restante virá diretamente do orçamento da União.
Nos bastidores diplomáticos, o lançamento ocorre após sucessivos alertas emitidos por autoridades norte-americanas sobre o avanço do crime organizado na América Latina. Em relatórios recentes do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da Drug Enforcement Administration (DEA), o Brasil aparece como rota estratégica para o tráfico internacional de cocaína destinado aos mercados europeu e norte-americano.
Autoridades americanas também têm intensificado acordos de cooperação regional envolvendo inteligência financeira, monitoramento de fronteiras e combate à lavagem de dinheiro. O tema ganhou força após operações internacionais identificarem conexões entre facções brasileiras e cartéis estrangeiros.
Durante o lançamento, Lula afirmou que o crime organizado “se transformou em uma multinacional poderosa”, destacando que as facções passaram a operar com estruturas financeiras sofisticadas e infiltração econômica em diversos setores.
O MJSP informou ainda que o programa prevê integração entre Polícia Federal, Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Ministério Público e forças estaduais. A meta é atingir o patrimônio financeiro das organizações criminosas, considerado hoje o principal combustível das facções.
Dados do Coaf revelam que somente em 2025 foram produzidos mais de 18 mil relatórios de inteligência financeira relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado e ao tráfico internacional.
O governo também pretende ampliar o uso de tecnologia de monitoramento em fronteiras, principalmente na região amazônica e em áreas próximas ao Paraguai e à Bolívia, consideradas corredores estratégicos do narcotráfico internacional.
A iniciativa ocorre em um momento de forte cobrança da sociedade sobre segurança pública. Pesquisa Quaest divulgada neste ano mostrou que violência e crime organizado passaram a figurar entre as maiores preocupações dos brasileiros, superando inclusive temas econômicos em algumas regiões do país.
Acompanhe o DFMobilidade nas redes sociais para mais informações sobre política, segurança pública e bastidores do poder em Brasília e no Brasil.
Instagram: @dfmobilidade
Facebook: DFMobilidade
X/Twitter: @dfmobilidade_




