Atraso no metrô de São Paulo pode custar R$ 20 milhões por mês aos cofres públicos

Foto: reprodução das redes sociais
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O atraso na conclusão de duas estações da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo abriu uma nova frente de pressão financeira sobre o governo de Tarcísio de Freitas. As estações Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, previstas para outubro de 2026, continuam sem funcionar. Pelas condições de compensação discutidas com a concessionária Linha Uni, o impacto potencial ultrapassa R$ 20 milhões mensais.

A conta decorre do mecanismo de reequilíbrio econômico-financeiro da concessão. Aproximadamente R$ 15 milhões correspondem à contraprestação proporcional às estações indisponíveis, enquanto outros R$ 5,5 milhões estão relacionados à estimativa de receitas tarifárias não realizadas. Os valores ainda dependem da definição contratual e não representam pagamentos mensais já efetuados.

O problema financeiro é mais amplo. Em dezembro de 2025, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) reconheceu um desequilíbrio contratual de R$ 3,69 bilhões, associado a dificuldades geotécnicas identificadas nas obras da estação Higienópolis-Mackenzie e à adoção de um cronograma acelerado. A decisão buscava reduzir os atrasos na implantação da linha, mas a forma definitiva de compensação ainda permanece em negociação.

Enquanto isso, seis estações abertas em julho funcionam em operação assistida, com viagens gratuitas e atendimento restrito das 10h às 15h, de segunda a sexta-feira. A ausência da Brasilândia, considerada estratégica para a demanda de passageiros da região norte, limita o potencial do trecho. A estação apresenta 96,3% de execução, enquanto Itaberaba-Hospital Vila Penteado chegou a 87,7%.

O governo paulista informa que a operação comercial ainda não começou e, portanto, não foi acionada a obrigação de pagamento das contraprestações mensais. Também esclarece que o reconhecimento do desequilíbrio financeiro não autoriza desembolsos imediatos. A expectativa é concluir as duas estações até o fim de 2026, embora não exista uma data específica de inauguração confirmada.

Quando estiver integralmente concluída, a Linha 6-Laranja terá 15,3 quilômetros, 15 estações e capacidade projetada para atender aproximadamente 633 mil passageiros diariamente. O empreendimento promete reduzir de cerca de 90 para 23 minutos o deslocamento entre a Brasilândia e a região central. Até lá, o desafio será transformar o avanço físico das obras em transporte efetivo, sem ampliar uma conta que poderá acabar recaindo sobre o contribuinte paulista.

 

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