Presidente tucano desiste de disputar o Senado ou renovar o mandato de deputado federal em 2026, mas promete permanecer na vida pública para construir uma alternativa à polarização entre Lula e Bolsonaro
O deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, anunciou nesta terça-feira, 4 de agosto, que não disputará nenhum cargo nas eleições de 2026. A decisão interrompe uma sequência iniciada em 1986, quando o mineiro conquistou o primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Embora fique fora das urnas, Aécio continuará exercendo o atual mandato parlamentar e permanecerá no comando nacional da legenda.
Em quatro décadas de mandatos consecutivos, Aécio foi deputado federal, presidente da Câmara, governador de Minas Gerais por dois períodos e senador da República. Em 2014, chegou ao segundo turno da eleição presidencial e recebeu 48,36% dos votos válidos, sendo derrotado por Dilma Rousseff. Na mensagem divulgada aos aliados, reconheceu que a trajetória também foi marcada por “acertos e desacertos, vitórias e derrotas”, mas sustentou que a retirada da disputa não representa despedida da política.
A desistência também altera a corrida pelas duas vagas de Minas Gerais no Senado. A mais recente pesquisa Genial/Quaest mostrava Marília Campos com índices entre 18% e 20%, enquanto Aécio aparecia na segunda posição, com 16%. Apesar de afirmar que chegava à eleição liderando levantamentos para uma das cadeiras, o tucano decidiu abandonar uma candidatura considerada competitiva para concentrar sua atuação na reorganização partidária.
A partir de agora, Aécio pretende usar a presidência do PSDB para defender um projeto que classifica como liberal na economia, inclusivo na área social, responsável fiscalmente e pragmático nas relações internacionais. Ao declarar que o Brasil seria “muito maior do que a soma de Lula e Bolsonaro”, o dirigente sinaliza que tentará devolver protagonismo ao centro político. Sai de cena como candidato, mas permanece nos bastidores tentando reconstruir um partido que já governou o país — tarefa que, convenhamos, talvez seja uma eleição ainda mais difícil.
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