O ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de criar obstáculos para impedir a exibição de Dark Horse, filme que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A denúncia foi feita em entrevista à jornalista Lara Logan, divulgada nos Estados Unidos.
Segundo Caviezel, a produção teria enfrentado restrições que inviabilizaram sua chegada aos cinemas brasileiros antes das eleições de outubro de 2026. O artista afirmou que teme novas tentativas de impedir definitivamente a circulação da obra. A acusação, entretanto, não veio acompanhada da identificação de uma decisão oficial que comprove a existência de uma proibição determinada pelo governo federal.
Dirigido pelo cineasta Cyrus Nowrasteh, Dark Horse apresenta episódios da vida pública de Bolsonaro, especialmente a campanha presidencial de 2018 e o atentado a faca sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora, Minas Gerais. O projeto também conta com a participação do deputado federal Mário Frias, que integrou o governo Bolsonaro na área cultural.
Caviezel revelou que decidiu aprofundar seus conhecimentos sobre o ex-presidente brasileiro depois de conhecer o roteiro. As manifestações públicas de Donald Trump em apoio a Bolsonaro também despertaram seu interesse. O ator afirmou que o longa já foi apresentado a grupos de brasileiros e norte-americanos nos Estados Unidos, recebendo, segundo seu relato, aplausos de pé.
A controvérsia ocorre em meio a questionamentos sobre o financiamento da produção e às exigências administrativas para sua distribuição. Em agosto, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu ao filme o Registro de Obra Estrangeira, etapa preliminar que não equivale à autorização para exploração comercial. A exibição regular também depende do Certificado de Registro de Título e dos demais procedimentos previstos na legislação brasileira.
Inicialmente cogitado para 2026, o lançamento comercial no Brasil passou a ser previsto para 2027, ainda sem data definitiva. Não há, nas informações publicamente verificadas, comprovação de que Lula tenha determinado pessoalmente o bloqueio do filme.
A declaração de Caviezel acrescenta uma nova dimensão política à disputa em torno da cinebiografia. O caso coloca em discussão os limites entre fiscalização legal, liberdade de expressão e eventual interferência política na circulação de obras audiovisuais. Para os responsáveis pela produção, permanece o desafio de levar aos cinemas brasileiros uma narrativa sobre Bolsonaro que, antes mesmo da estreia, já se tornou objeto de controvérsia nacional.




