Um petroleiro associado à chamada frota fantasma russa passou a indicar o Brasil como possível destino de uma carga de óleo diesel, em meio às dificuldades para concretizar o acordo anunciado entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin. O navio Leruo, de bandeira de Serra Leoa, alterou seus registros de navegação para “Brasil, sob ordens”, depois de figurar entre as embarcações que poderiam abastecer o mercado norte-americano.
O Leruo deixou o porto russo de Primorsk em 16 de outubro. Inicialmente, seus registros apontavam Manaus como destino. Posteriormente, a indicação foi modificada para a costa atlântica e, mais recentemente, voltou a mencionar o Brasil. A movimentação foi identificada por sistemas de inteligência marítima, mas ainda não representa confirmação de que o combustível será descarregado em território brasileiro.
A embarcação, identificada pelo registro internacional IMO 9385831, consta em levantamentos sobre a frota fantasma utilizada no transporte de petróleo e derivados russos. O navio está submetido a sanções internacionais, inclusive da União Europeia e do Reino Unido, devido às suas operações relacionadas ao comércio de combustíveis da Rússia. Isso, entretanto, não significa que pertença pessoalmente a Vladimir Putin.
A mudança de rota acontece depois de Trump anunciar, em 9 de outubro, um entendimento com Putin para disponibilizar imediatamente mais de 300 mil toneladas de diesel aos mercados norte-americano e internacional. O compromisso anunciado previa outras 500 mil toneladas em novembro, mais um milhão posteriormente e volumes adicionais condicionados à capacidade das refinarias russas. Para viabilizar as operações, o governo americano publicou uma autorização temporária para transações envolvendo o combustível russo.
O problema para Washington é que as primeiras remessas ainda enfrentam obstáculos comerciais, jurídicos e políticos. Entre três petroleiros inicialmente relacionados ao fornecimento, o Talisman também alterou seu destino, enquanto o Agioi Fanendes permanece como o principal candidato a alcançar a costa norte-americana. Até 4 de novembro, não havia confirmação de entrega dessas cargas nos Estados Unidos.
Para o Brasil, a possível chegada do Leruo reforça sua posição entre os mercados tradicionalmente atendidos pelas exportações russas de diesel. Entretanto, a indicação de destino transmitida pelo navio não comprova a existência de uma compra brasileira, tampouco identifica a empresa importadora ou o porto de desembarque.
O episódio expõe uma dificuldade prática do entendimento entre Trump e Putin: anunciar milhões de toneladas ao mercado é diferente de assegurar compradores, contratos e desembarques. Por enquanto, há um petroleiro com diesel russo apontando para o Brasil, mas não existe confirmação de que sua carga tenha sido desviada de um contrato firmado especificamente com os Estados Unidos.




