Advogado de Trump desafia Moraes: “Se tentasse um golpe, seria tratado como os do 8 de janeiro?”

Martin-De-Luca

Martin De Luca reage a alerta de Deltan Dallagnol sobre suposta interferência judicial na eleição presidencial e questiona se o ministro do STF estaria sujeito ao mesmo rigor aplicado aos envolvidos nos atos de 2023.

 

O advogado norte-americano Martin De Luca, representante da Trump Media e da plataforma Rumble, lançou um questionamento direto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma publicação do ex-procurador Deltan Dallagnol sobre rumores de uma possível intervenção judicial na disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

A manifestação ocorreu na rede social X, depois que Deltan divulgou um alerta sobre informações que, segundo ele, circulam nos bastidores de Brasília.

 

“Urgente: há rumores em Brasília de que Moraes pode dar um golpe judicial na eleição de Flávio Bolsonaro a qualquer momento”, escreveu o ex-procurador da Operação Lava Jato.

 

Na mesma publicação, Dallagnol criticou o que considera interferência do Judiciário no processo eleitoral e pediu votos para o candidato do PL.

 

A resposta de Martin De Luca, entretanto, deslocou o debate para uma questão jurídica e política particularmente sensível: o tratamento dispensado pelo Supremo aos acusados de envolvimento nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

 

“Se Alexandre de Moraes tentasse um golpe, você acha que ele deveria ser tratado como os supostos golpistas do 8 de janeiro?”, questionou o advogado.

 

A provocação estabelece um paralelo entre a hipótese levantada por Dallagnol e a atuação do STF nos processos relacionados aos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

 

Ao formular a pergunta, De Luca coloca em discussão a aplicação do princípio da igualdade perante a lei, sugerindo uma reflexão sobre a responsabilização de autoridades caso pratiquem condutas semelhantes às atribuídas a cidadãos investigados ou condenados por crimes contra a ordem democrática.

 

O posicionamento ganha relevância pelo histórico do advogado. De Luca representa empresas ligadas ao presidente norte-americano Donald Trump em litígios nos Estados Unidos envolvendo decisões de Alexandre de Moraes, especialmente relacionadas à liberdade de expressão e à retirada de conteúdos das plataformas digitais.

 

Não é a primeira vez que o jurista critica a atuação do magistrado brasileiro. Suas manifestações anteriores já questionaram decisões do STF e seus efeitos sobre empresas e cidadãos em território norte-americano.

 

O episódio ocorre na reta final da eleição presidencial brasileira, cujo segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro.

 

Apesar da repercussão política, a publicação de Deltan apresenta rumores, sem indicar documentos ou decisões que comprovem a existência de um plano de intervenção judicial na eleição. A resposta de De Luca também é formulada como uma hipótese, e não como afirmação de que Moraes tenha praticado ou esteja preparando um golpe.

 

O fato concreto é que a manifestação do advogado amplia o debate sobre os limites da atuação judicial e a necessidade de aplicação uniforme das garantias constitucionais.

 

A pergunta de De Luca deixa uma questão no centro da controvérsia: diante de uma eventual violação da ordem democrática por uma autoridade, o rigor da Justiça seria o mesmo exigido dos demais cidadãos?

 

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