Mensagens apreendidas pela Polícia Federal revelam a proximidade entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Frederic Kachar, CEO da Editora Globo. Os diálogos, divulgados nesta quarta-feira (14), mostram que o executivo foi convidado para uma festa privada organizada pelo banqueiro em maio de 2024, com regras de discrição e proibição de celulares. A revelação expõe os bastidores de uma relação que ultrapassava os encontros institucionais entre o empresário e um dos principais dirigentes do conglomerado de comunicação.
Em 15 de maio de 2024, Vorcaro anunciou que havia reservado um espaço para uma celebração exclusiva. “Sem celular” e “sem risco”, escreveu, apresentando o encontro como a “verdadeira festa”. Kachar reagiu com entusiasmo: “É nessa que eu vou!”. O banqueiro confirmou o convite e classificou o executivo como convidado de honra. As conversas mostram que Kachar enfrentou dificuldades para chegar ao local e, já na madrugada seguinte, confirmou sua entrada. O conteúdo das mensagens não esclarece exatamente quais atividades ocorreram na festa.
O episódio ganhou contornos ainda mais curiosos na tarde seguinte. Em mensagem enviada a Vorcaro, Kachar agradeceu pela noite e brincou com o próprio estado físico: “Será que alguém anotou a placa do caminhão que me atropelou? rs”. O banqueiro respondeu que o executivo havia permanecido pouco tempo no encontro e revelou ter dormido apenas três horas. Impressionado com a disposição do anfitrião, o dirigente da Globo disparou: “Ídolo. Se eu faço isso, saio de ambulância do quarto”.
A exposição das conversas coloca sob questionamento os limites da proximidade entre dirigentes de grandes veículos de comunicação e empresários envolvidos em investigações. Outros diálogos mostram Vorcaro reclamando ao executivo sobre reportagens da jornalista Malu Gaspar, enquanto Kachar sinalizava disposição para conversar com ela. Embora as mensagens não comprovem interferência na cobertura jornalística nem participação em irregularidades durante a festa, levantam questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses. Até a divulgação das reportagens, Kachar e a Globo não haviam apresentado manifestação pública sobre os episódios.





