Existe um fenômeno da fauna política brasiliense muito mais pontual que a chuva de outubro e muito mais místico que o alinhamento dos planetas: o Daltonismo Eleitoral de Segundo Turno.
Quem melhor diagnosticou a espécie foi o portal DF Mobilidade, que já havia batizado Leandro Grass no fim de setembro com o título definitivo de “o camaleão do cerrado com discurso pasteurizado do ‘Lulinha paz e amor'”. E, convenhamos, a biologia explica: depois de pular do galho da Rede em 2018 para o verde do PV em 2022, até pousar no vermelho do PT em 2026 — um recorde olímpico de três partidos em três eleições —, mudar de cor entre o primeiro e o segundo turno é praticamente um reflexo muscular.
No primeiro turno, era aquele amor ardente. O vermelho sangue pulsava nas redes sociais, a estrela brilhava mais que letreiro de farmácia e o orgulho partidário era tatuado no peito. Mas bastou a urna apitar o fim da primeira etapa no Distrito Federal para o Camaleão do Cerrado ativar sua camuflagem máxima: de repente, o departamento de marketing descobriu os encantos da paleta pastel, do branco paz e do azul “cidadania”.
Onde foi parar a estrela do PT na campanha de Grass? Ninguém sabe, ninguém viu. Provavelmente entrou no programa de proteção a símbolos partidários com alta rejeição em Brasília. O vermelho? Foi lavado com alvejante para combinar com o figurino “paz e amor” pasteurizado.
Segundo os aliados, o sumiço da identidade visual petista não é vergonha da própria sigla, imagina! É apenas um “reposicionamento estratégico para atrair eleitores para além da esquerda”. Traduzindo do marquetês para o português claro: “Eleitor do DF, por favor, finja que você sofreu uma amnésia coletiva de sete dias, ignore o número 13 na urna e foque apenas neste fundo neutro super aconchegante!”
Fica a dica para os biólogos e eleitores de plantão: se quiserem encontrar o PT na campanha de segundo turno de Leandro Grass, não procurem nas bandeiras, nos vídeos nem nos panfletos. Procurem apenas nas letras miúdas da coligação — se é que o Camaleão do Cerrado já não pediu ao TSE para imprimi-las em tinta invisível.




