Uma publicação atribuída a Larissa Abdalla Britto, assessora do gabinete do ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF), ganhou repercussão nesta quarta-feira (16) após ela chamar de “recalcados” críticos da atuação do magistrado na sessão extraordinária da Corte. Em uma conta fechada no Instagram, Britto publicou uma foto de Dino acompanhada da frase: “Com todas as desculpas aos recalcados de plantão, mas quem brilhou foi ele”. O STF confirma Larissa na relação oficial de assessores do gabinete do ministro.
A manifestação ocorreu depois da turbulenta sessão de terça-feira (15), quando Dino apresentou pedido de vista e interrompeu a análise da Petição 16.662, relacionada a relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e que aponta supostos diálogos relacionados ao ministro Alexandre de Moraes. O próprio STF esclareceu que o plenário não chegou a examinar o mérito sobre eventual investigação de Moraes.
No momento da suspensão, os ministros discutiam uma questão de ordem sobre a possibilidade de julgar conjuntamente a Petição 16.662 e outro procedimento envolvendo alegações contra André Mendonça. O placar provisório estava em 4 a 3 contra a reunião dos casos: Edson Fachin, André Mendonça, Cármen Lúcia e Luiz Fux votaram pelo julgamento separado; Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin defenderam a análise conjunta. Dino manifestou-se favoravelmente à reunião, mas pediu que seu voto não fosse contabilizado antes da vista. Pelas regras do STF, ele dispõe de até 90 dias corridos para devolver o processo.
A postagem da assessora adicionou um novo componente político à repercussão de uma sessão já marcada por fortes divergências entre integrantes do Supremo. Segundo a reportagem que revelou a publicação, Britto trabalha com Dino desde sua passagem pelo governo do Maranhão e recebe atualmente remuneração bruta mensal de aproximadamente R$ 26,9 mil no STF. A declaração nas redes sociais, porém, é uma manifestação atribuída à própria assessora e não representa, por si só, uma posição institucional da Corte ou do gabinete do ministro.




