Presidente dos Estados Unidos reforça ofensiva contra políticas de identidade de gênero na educação e sustenta que pais devem ter controle sobre decisões envolvendo menores
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a colocar a discussão sobre identidade de gênero nas escolas no centro da agenda política norte-americana. Uma frase atribuída a ele e que ganhou repercussão — “Toda escola pública na América está agora avisada: se disserem a uma criança que ela está presa no corpo errado, estão cometendo abuso infantil” — reproduz o núcleo de uma posição defendida por Trump há anos, embora essa formulação integral não apareça nos registros oficiais recentes consultados. Ainda antes de retornar à Casa Branca, Trump já havia prometido consequências para escolas que ensinassem a crianças que elas poderiam estar “presas no corpo errado”. No governo, a promessa avançou para medidas administrativas concretas.
Em 29 de janeiro de 2025, Trump assinou a Ordem Executiva 14190, que determinou a elaboração de uma estratégia para retirar apoio e recursos federais de programas educacionais que promovam aquilo que o governo classifica como “ideologia de gênero” no ensino básico. O texto também invoca direitos parentais e determina que órgãos federais examinem políticas envolvendo transição social de estudantes. A linha foi mantida em 2026: a Casa Branca apoiou legislação destinada a impedir que escolas públicas financiadas pelo governo federal alterem nome, pronome ou acesso de alunos a determinados espaços sem consentimento dos pais.
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A associação feita por Trump entre a pauta de gênero e abuso infantil não surgiu apenas em discursos. Em proclamação oficial de abril de 2025, durante o Mês Nacional de Prevenção ao Abuso Infantil, o presidente classificou a chamada “ideologia de gênero” como uma das formas de abuso enfrentadas pelo país e acusou seus defensores de transmitir às crianças a ideia de que poderiam ter nascido no “corpo errado”. Um mês antes, em discurso ao Congresso, Trump havia pedido aos parlamentares uma lei federal para proibir permanentemente procedimentos de mudança de sexo em menores, sustentando que nenhuma criança deveria ser ensinada a acreditar que nasceu no corpo errado.
A política, porém, está longe de ser consensual nos Estados Unidos. A Academia Americana de Pediatria contesta as restrições federais aos chamados cuidados de afirmação de gênero e defende que decisões médicas sejam tomadas por pacientes, famílias e profissionais de saúde, enquanto o governo Trump sustenta que sua prioridade é proteger menores, preservar a autoridade dos pais e impedir o uso de recursos públicos nessas práticas. A controvérsia transformou escolas, consultórios e tribunais em novas frentes da guerra cultural americana. O que começou como promessa de campanha virou política de governo — e Trump deixou claro que pretende manter o tema no centro de sua agenda.




