Memorando autoriza empresas privadas a rastrear, interromper e até destruir sistemas digitais de organizações estrangeiras, sob controle do governo norte-americano
O presidente Donald Trump assinou, em 12 de agosto, um memorando de segurança nacional que amplia o poder dos Estados Unidos para realizar operações cibernéticas contra organizações criminosas transnacionais. Empresas norte-americanas previamente selecionadas poderão executar ações de vigilância, invasão e sabotagem digital, desde que recebam autorização por escrito e atuem sob supervisão dos departamentos de Justiça e de Segurança Interna.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) podem entrar nesse radar porque foram oficialmente classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras em publicação válida desde 5 de junho. A nova ordem, entretanto, não menciona nominalmente as facções. Para que sejam atacadas digitalmente, as autoridades americanas ainda precisarão demonstrar que elas praticam crimes cibernéticos contra cidadãos, empresas, governo ou interesses dos EUA e aprovar uma operação específica. Até esta quinta-feira (13), nenhum alvo brasileiro havia sido anunciado.
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As regras operacionais deverão ser definidas em até 60 dias. As empresas participantes passarão por investigação de segurança, firmarão contratos com o governo e poderão ser obrigadas a manter garantia mínima de US$ 1 milhão. As missões autorizadas incluem acesso clandestino a redes, coleta de inteligência e ações capazes de manipular, bloquear, degradar ou destruir sistemas, dados e infraestruturas digitais utilizados pelo crime organizado.
Para o Brasil, o memorando transforma uma classificação até agora concentrada em sanções financeiras e restrições legais numa possibilidade concreta de ação operacional. Caso PCC ou CV sejam selecionados, os Estados Unidos poderão, em tese, mapear comunicações, rastrear recursos e derrubar estruturas digitais ligadas às facções. A versão pública da ordem não informa se haverá consulta prévia ao governo do país atingido. Washington já preparou o arsenal; falta saber quais organizações serão colocadas na mira.




