O Brasil alcançou um resultado histórico em junho de 2026, com 21.138 veículos 100% elétricos emplacados, e não 21.612, como afirma a publicação que circula nas redes sociais. Somando elétricos puros, híbridos plug-in e híbridos convencionais, o mercado brasileiro chegou a 47.579 veículos eletrificados, o maior volume mensal já registrado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico.
A afirmação de que o país teria se tornado o quarto maior mercado mundial, entretanto, não está correta. Os números de junho colocam o Brasil atrás da Alemanha, com 84.057 elétricos; do Reino Unido, com 63.950; e da França, com 55.851. Esse recorte, porém, deixa de fora mercados gigantescos, como China e Estados Unidos, e, portanto, não permite estabelecer uma classificação global. Em outras palavras, o Brasil aparece em quarto apenas numa lista cuidadosamente encurtada — um ranking que já saiu da garagem com países faltando.
Outro ajuste necessário está na participação de mercado. Os automóveis 100% elétricos representaram aproximadamente 8,1% dos veículos leves vendidos no Brasil em junho. O percentual de 18,3% corresponde ao conjunto dos eletrificados, incluindo todas as modalidades híbridas. Na Noruega, os elétricos puros responderam por cerca de 96,5% dos emplacamentos, enquanto a Dinamarca ficou próxima de 79,1%. O avanço brasileiro é expressivo, mas o país ainda está distante dos mercados mais eletrificados proporcionalmente.
O desempenho, ainda assim, confirma uma transformação acelerada. O Brasil terminou junho com 25.429 pontos públicos e semipúblicos de recarga, enquanto o Distrito Federal ocupou o segundo lugar nacional em vendas de eletrificados no primeiro semestre, com 18.131 unidades. O DF Mobilidade já mostrou onde estão os principais pontos de recarga de Brasília e destacou a proposta para tornar permanente o IPVA zero para carros elétricos no DF. O Brasil não precisa de um pódio artificial: os números verdadeiros já mostram um mercado em forte expansão.




