O Ministério do Comércio da China informou nesta quarta-feira, 22 de julho, que as importações de carne bovina brasileira atingiram, no dia anterior, 80% da cota reservada ao país para 2026. O limite anual é de aproximadamente 1,106 milhão de toneladas. Quando o volume chegar a 100%, Pequim acrescentará, a partir do terceiro dia, uma sobretaxa de 55% à tarifa regular de 12%, elevando a cobrança total para 67%.
O mecanismo de salvaguarda entrou em vigor em 1º de janeiro e deverá permanecer por três anos, com limites específicos para grandes fornecedores. Não se trata de ameaça protocolar: a Austrália já esgotou sua cota e passou a enfrentar a sobretaxa em junho. O precedente mostra que a barreira será aplicada automaticamente caso os embarques brasileiros ultrapassem o teto estabelecido.
A diferença entre a cota e o histórico recente ajuda a dimensionar o problema. Em 2025, a China comprou cerca de 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, quase metade de tudo o que o país exportou. O DFMOBILIDADE já mostrou que frigoríficos começaram a reduzir atividades e conceder férias coletivas, antecipando uma possível queda nos abates, pressão sobre o preço do gado e ameaça aos empregos nas regiões produtoras.
O episódio expõe o preço da dependência excessiva de um único comprador e cobra do governo Lula uma política concreta de diversificação de mercados. Enquanto os Estados Unidos decidiram preservar a carne bovina brasileira de seu novo tarifaço, a China apertou a porteira. A afinidade diplomática com Pequim pode render fotografias sorridentes; para o pecuarista, porém, o que conta é a tarifa impressa na fatura.




