Por Lucas Santana
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o confronto político com os Estados Unidos ao terreno eleitoral ao desafiar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a vir ao Brasil apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Durante a convenção nacional do PDT, realizada nesta segunda-feira (20), em Brasília, Lula declarou que Rubio poderia até “montar um comitê”, porque seus adversários seriam derrotados “em nome da defesa da democracia”.
A declaração ocorreu no evento em que o PDT aprovou, por unanimidade, apoio à reeleição do petista. Em vez de restringir o discurso à aliança partidária, Lula aproveitou o palanque para nacionalizar a disputa comercial com Washington e apresentar a reação norte-americana como interferência externa. A diplomacia, ao que parece, já entrou oficialmente em horário eleitoral.
O embate ganhou força após Rubio atribuir ao governo brasileiro a responsabilidade pelo fracasso das negociações que antecederam a imposição de novas tarifas sobre produtos do Brasil. O secretário afirmou que Lula não teria negociado “de boa-fé”, acusação que acirrou a troca de ataques entre o Planalto e a oposição. O DFMobilidade já havia mostrado que Rubio responsabilizou Lula pelo tarifaço de 25%.
A ofensiva verbal também revela o incômodo do governo com a interlocução construída por Flávio Bolsonaro junto à administração Donald Trump. O senador recebeu uma resposta formal de Rubio após defender o adiamento das tarifas, episódio tratado pelo Planalto como sinal de aproximação política. Em outra reportagem, o DFMobilidade revelou como a carta de Rubio fortaleceu Flávio no debate internacional. Ao convidar o chanceler americano para o palanque adversário, Lula tenta transformar uma crise comercial em combustível eleitoral — estratégia conhecida, embora a conta das tarifas continue chegando à economia real.




