José Roberto Arruda chega à disputa pelo Palácio do Buriti carregando um problema que não se resolve apenas com alianças, propaganda ou lembranças de obras realizadas: a resistência consolidada de parte expressiva do eleitorado.
Na pesquisa Paraná Pesquisas, o ex-governador aparece como líder numérico da rejeição, citado por 27,9% dos entrevistados como um nome em quem não votariam.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores entre 17 e 19 de junho, tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número DF-01326/2026.
Como cada participante podia rejeitar mais de um candidato, o índice não representa um teto matemático, mas revela que mais de um quarto do eleitorado já inicia a campanha com resistência declarada ao seu nome.
A origem desse desgaste está menos no presente do que na memória política de Brasília. A Operação Caixa de Pandora, deflagrada em 2009, revelou gravações, depoimentos e movimentações financeiras relacionados a um esquema de pagamento de vantagens indevidas dentro do Governo do Distrito Federal.
Em fevereiro de 2010, ainda no exercício do cargo, Arruda teve a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça sob suspeita de tentativa de interferência nas investigações.
No mês seguinte, perdeu o mandato após decisão da Justiça Eleitoral por infidelidade partidária. Foi uma queda política rara: o governador que havia chegado ao Buriti com ampla votação deixou o poder cercado por processos, imagens de dinheiro vivo e uma crise institucional que permanece associada ao seu nome.

O tempo não apagou o passivo judicial. Em junho de 2026, a 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios manteve uma condenação de Arruda por improbidade administrativa em processo da Caixa de Pandora.
O colegiado apontou registros audiovisuais de entrega de dinheiro, depoimentos e perícias bancárias, fixando indenização de R$ 1 milhão por danos morais coletivos para cada condenado e mantendo ressarcimento solidário de R$ 257 mil.
Em julho, o tribunal também preservou a indisponibilidade de bens para garantir as obrigações patrimoniais, embora ainda possam existir recursos aos tribunais superiores.
A defesa sustentou irregularidades nas provas e questionou a competência da Justiça comum, argumentos rejeitados pelo colegiado. O histórico já foi detalhado pelo DFMobilidade nas matérias sobre a sexta condenação por improbidade e sobre sua situação entre a Justiça, a rejeição e a tentativa de voltar ao poder.
Eleitoralmente, rejeição elevada funciona como uma espécie de imposto cobrado durante toda a campanha. Arruda pode conservar um núcleo fiel, ter reconhecimento de nome e mobilizar eleitores saudosos de sua gestão, mas uma eleição majoritária exige avançar para além da própria trincheira.
Especialmente num eventual segundo turno, vence quem consegue agregar eleitores, reduzir resistências e ocupar o centro político.
O levantamento não decreta antecipadamente sua derrota, mas indica que o ex-governador começa a corrida com uma pesada âncora.




