A ofensiva de PT, PSB e PSOL contra a lei que viabiliza o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para capitalizar o BRB chega ao Tribunal de Justiça do DF com cara de peça jurídica, mas cheiro de campanha antecipada. A ação pede a suspensão da Lei 7.914, sancionada por Celina Leão, sob o argumento de risco fiscal e falta de interesse público. No tabuleiro político, porém, a leitura é outra: às vésperas das eleições de 2026, a oposição mira a governadora e tenta transformar uma solução institucional para salvar o banco público de Brasília em munição eleitoral.
O ponto central é que a operação não nasceu de improviso. O acordo foi costurado no STF entre DF, União, Banco Central e BRB, com participação do Fundo Garantidor de Créditos, sem repasse direto de dinheiro da União, e depois passou pela Câmara Legislativa por 11 votos a 9, com uma abstenção. Como mostrou o DFMobilidade em “Celina sanciona lei que destrava crédito ao BRB”, a medida busca preservar um ativo estratégico do Distrito Federal depois da crise aberta por operações ligadas ao Banco Master.
A oposição tem o direito de questionar, fiscalizar e cobrar transparência. Isso faz parte do jogo democrático. O problema é quando o discurso jurídico escorrega para o velho chavão eleitoral: quanto pior para o governo, melhor para o palanque. A eventual derrubada da lei, sem alternativa concreta para capitalizar o banco, pode fragilizar justamente o BRB, instituição que movimenta crédito, folha de servidores, programas públicos e parte importante da economia brasiliense. No DFMobilidade, a reportagem “BRB foi a instituição ‘efetivamente fraudada’, diz presidente Antônio de Souza” já havia mostrado que a prioridade deveria ser preservar o banco, investigar responsabilidades e recuperar sua solidez — não usar a crise como outdoor de campanha.
O movimento também não aparece no vácuo. Brasília já viu, mais de uma vez, sua autonomia financeira entrar na mira de disputas nacionais, inclusive no debate sobre o Fundo Constitucional do DF, essencial para segurança, saúde e educação. Em 2024, o governo federal insistiu em mudar o critério de correção do fundo dentro do pacote fiscal, o que foi visto por lideranças locais como ameaça direta aos serviços públicos da capital. Agora, com o BRB no centro da arena, a oposição repete o roteiro: veste toga, fala em interesse público, mas atua como quem prefere vencer no tapetão político mesmo que a fatura recaia sobre Brasília.




