A operadora ferroviária Eurostar alterou seu contrato bilionário com a fabricante Alstom para garantir que a sua nova frota de trens de dois andares suporte operações logísticas contínuas em temperaturas extremas de até 55°C.
A atualização técnica, batizada estrategicamente de “opção Saara”, engloba todos os 50 novos trens do modelo Celestia, que passarão a incorporar sistemas de refrigeração de alta capacidade, componentes de qualidade superior e microprocessadores homologados para resistir ao calor intenso.
Essa modernização estrutural garante que as composições, com primeira entrega prevista para janeiro de 2031, tornem-se os primeiros trens de alta velocidade de dois andares a cruzar o Eurotúnel, aumentando a capacidade da malha para aproximadamente mil passageiros por viagem.
A decisão de readequar a engenharia térmica da frota ocorre em meio a uma crise climática que tem forçado a revisão emergencial de toda a infraestrutura de transporte europeia.
A forte onda de calor registrada em junho de 2026 quebrou recordes no continente, provocando a dilatação e a deformação de trilhos na Alemanha, Suíça e Grã-Bretanha, o que resultou em uma paralisação em cascata e cancelamentos generalizados.
Relatórios recentes apontam que a rede ferroviária europeia enfrentará anualmente cada vez mais dias com temperaturas prejudiciais ao aço, exigindo que o setor de mobilidade se adapte rapidamente a um cenário meteorológico antes associado apenas ao Norte da África, evitando assim o colapso das rotas de suprimento e transporte de passageiros.
Com essa reavaliação de resiliência climática, a modernização antecipada da Eurostar assegura que as operações comerciais nas rotas que interligam Londres, Paris, Bruxelas e Amsterdã mantenham a confiabilidade operacional e a segurança logística, mesmo nos picos mais agressivos do verão.




