A aliança nacional entre PT e PSB nasceu com discurso de unidade, mas tropeçou justamente no endereço mais simbólico da política brasileira: Brasília. Enquanto as duas legendas caminham juntas em 26 unidades da Federação em torno do projeto de reeleição do presidente Lula, o Distrito Federal virou a exceção incômoda. No quadradinho, o PSB pretende sustentar Ricardo Cappelli, enquanto o PT mantém Leandro Grass como nome próprio ao Palácio do Buriti. Na prática, a esquerda tenta vender unidade nacional, mas entrega divisão local — e eleitor costuma perceber quando a costura tem mais nó do que linha.
A dificuldade não está apenas no palanque rachado. Está nos números. A pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política mostrou Celina Leão na liderança da disputa ao GDF, com 27,8%, seguida por José Roberto Arruda, com 23,5%, enquanto Leandro Grass aparece em terceiro, com 9,2%, e Ricardo Cappelli registra apenas 1,7%. O retrato indica que PT e PSB, separados, disputam mais espaço dentro do próprio campo progressista do que condições reais de chegar ao comando do DF. É a velha esquerda tentando atravessar a Ponte JK com dois mapas diferentes — e nenhum deles levando ao Buriti.
O problema é estrutural. Em 2022, Ibaneis Rocha venceu no primeiro turno, com 50,27% dos votos válidos, enquanto Leandro Grass ficou em segundo, com 26,27%; quatro anos antes, em 2018, Rodrigo Rollemberg, então governador pelo PSB, foi derrotado por Ibaneis no segundo turno. Ou seja: PT e PSB não enfrentam apenas uma eleição difícil em 2026, mas uma memória recente de derrotas, desgaste administrativo e baixa capacidade de expansão fora da bolha ideológica. Esse ambiente já foi analisado pelo DFMobilidade em “Direita e esquerda travam guerra no DF, mas Brasília dá sinais de conservadora” e em “Ibaneis enterra ‘era de desastres’ e sela sucessão com Celina Leão”, duas leituras que ajudam a entender por que o eleitorado brasiliense tem cobrado menos discurso nacional e mais entrega local.
Assim, apesar da aliança nacional, as chances de PT e PSB vencerem no DF hoje são baixas não por falta de sigla, militância ou palanque presidencial, mas por excesso de fragmentação e escassez de competitividade local. Celina ocupa a máquina, carrega o capital político da continuidade e aparece como nome mais consolidado do campo governista. Já a esquerda chega dividida entre Grass e Cappelli, sem unidade, sem liderança única e sem sinal claro de que conseguirá furar a resistência de um eleitorado que, eleição após eleição, tem demonstrado pouca disposição para devolver o Buriti ao campo progressista.




