Wagner tenta ganhar tempo e amplia desgaste de Lula no Senado

Foto: Reprodução do X
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O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, tenta permanecer no cargo pelo menos até o recesso parlamentar, mesmo depois de virar alvo de pressão dentro do próprio campo governista. A movimentação ocorre após a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho, que apura suspeitas de irregularidades no sistema financeiro e possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O caso colocou o Planalto diante de uma escolha politicamente indigesta: preservar um aliado histórico ou reduzir o desgaste antes que a crise contamine ainda mais a articulação no Congresso.

Nos bastidores, a avaliação atribuída a auxiliares do presidente é que a permanência de Wagner se tornou difícil de sustentar. O senador, porém, resiste a uma saída imediata e busca uma conversa direta com Lula para tentar manter o posto até julho. A situação ganhou peso porque Wagner não é um parlamentar qualquer na engrenagem petista: foi ministro, governador da Bahia, operador político de confiança e hoje ocupa uma cadeira estratégica na relação entre governo e Senado. Quando uma peça desse tamanho balança, o tabuleiro inteiro range.

A nova fase da Compliance Zero cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, além de medidas cautelares como suspensão de passaporte e proibição de contato entre investigados. O DFMobilidade já havia mostrado que a apuração mirou repasses do Master a empresa ligada à nora de Jaques Wagner, em mais um capítulo da investigação que expôs as conexões políticas em torno do antigo Banco Master. Wagner nega irregularidades e afirma que colaborará com as autoridades.

A crise também se encaixa em um ambiente mais amplo de tensão entre governo, Polícia Federal e Supremo. Em reportagem recente, o DFMobilidade mostrou que o governo Lula mandou delegados voltarem à PF e acendeu alerta no caso Master e INSS. Agora, com Wagner tentando ganhar tempo e o Planalto pressionado a dar uma resposta, o caso deixa de ser apenas jurídico e passa a medir a capacidade de Lula de controlar danos dentro da própria base.

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