Presidente da CLDF ganha força nos bastidores após elogios públicos da governadora. Movimento pode acomodar o MDB na chapa majoritária sem entregar ao partido o comando da disputa ao GDF.
A possibilidade de o deputado distrital Wellington Luiz, presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal e dirigente do MDB-DF, compor como vice na chapa de Celina Leão ao Palácio do Buriti ganhou tração nos bastidores da política local. A movimentação surge em meio ao racha interno do MDB e pode representar uma saída cirúrgica para acomodar a legenda na majoritária sem ceder à pressão de setores que insistem em colocar o partido na cabeça de chapa.
A hipótese foi levantada durante a entrega de unidades habitacionais no Riacho Fundo II, quando o nome de Wellington foi citado publicamente como possível vice de Celina. Segundo o Expressão Brasiliense, o presidente da Federação dos Inquilinos do DF, Chico Dorion, defendeu o nome do parlamentar, destacando sua atuação na área habitacional e sua passagem pela Codhab.
O movimento ocorre poucos dias depois de Celina fazer elogios diretos a Wellington durante a entrega de 44 unidades habitacionais no Residencial Pendular, no Riacho Fundo II. A governadora afirmou que a reeleição do parlamentar é prioridade e atribuiu a ele parte dos resultados alcançados pela atual gestão em áreas como habitação e saúde.
Nos bastidores, a leitura é simples: Wellington como vice resolveria parte da equação que hoje trava o MDB-DF. O partido continuaria dentro da chapa majoritária, preservaria espaço político e evitaria o constrangimento de uma aventura isolada contra Celina. Ao mesmo tempo, a solução reduziria a pressão da ala que tenta transformar o peso histórico do MDB no DF em exigência automática pela cabeça de chapa.
O DFMobilidade já havia mostrado que a crise deixou de ser apenas uma disputa interna por diretório partidário e passou a expor a briga pelo controle da sucessão de 2026. Na matéria “Celina sai em defesa de Wellington Luiz e amplia pressão sobre ala rebelada do MDB-DF”, o portal destacou que Wellington defende a manutenção da aliança em torno da governadora, enquanto aliados de Ibaneis Rocha e Rafael Prudente tentam reposicionar o partido no tabuleiro eleitoral.
A defesa pública de Celina a Wellington também tem peso institucional. O deputado comanda a CLDF, controla uma engrenagem decisiva para a governabilidade e tem atuado como fiador político de pautas relevantes do Buriti. Em discurso recente, Celina afirmou que o aliado foi essencial na aprovação de projetos estratégicos, como medidas ligadas à saúde pública.
A eventual presença de Wellington na vice de Celina teria ainda outro efeito: esvaziaria a narrativa de que o MDB estaria sendo excluído da construção de 2026. O partido não ficaria fora da mesa. Apenas deixaria de comandar o cardápio inteiro. Para uma legenda rachada, já seria um banquete político — com talheres de contenção.
O DFMobilidade também registrou, em “Wellington joga água fria na crise e diz que rompimento com Celina não está na mesa”, que o presidente do MDB-DF adotou tom conciliador diante das divergências entre Ibaneis e Celina. Na ocasião, Wellington defendeu “realinhamento”, não rompimento, e afirmou que o governo precisa ter a marca da atual governadora.
Essa posição o coloca em rota de colisão com a ala emedebista que tenta empurrar o MDB para uma candidatura própria ou para uma negociação mais dura com Celina. A disputa ganhou força quando parlamentares do partido pediram a intervenção da Executiva Nacional nas decisões do diretório regional. O DFMobilidade detalhou esse movimento em “MDB-DF exposto em disputa por comando da chapa de 2026”, mostrando que o embate envolve controle partidário, sucessão e espaço na majoritária.
A crise também chegou à direção nacional do partido. Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, suspendeu decisões do diretório regional relacionadas a coligações e candidaturas majoritárias até análise da Executiva Nacional. O DFMobilidade abordou o episódio em “Baleia trava MDB-DF e leva crise sobre 2026 para a direção nacional”, apontando que o comando nacional puxou o freio de mão antes que a divergência virasse decisão consumada.
Mesmo assim, o nome de Wellington como vice ainda não é decisão tomada. O próprio parlamentar reiterou que será candidato à reeleição para deputado distrital. Celina, por sua vez, não comentou publicamente a possibilidade de tê-lo como companheiro de chapa.
Na política, no entanto, silêncio raramente é vazio. Muitas vezes é cálculo. E, neste caso, a equação favorece a leitura de que Wellington se tornou uma alternativa real para pacificar parte da base, manter o MDB dentro do projeto e impedir que a legenda transforme sua ambição em crise permanente.
A eventual chapa Celina-Wellington representaria uma síntese de governabilidade: Celina preservaria o comando natural da sucessão, Wellington levaria o MDB para dentro da majoritária e a ala mais afoita do partido teria menos espaço para vender a tese de que só há dignidade eleitoral se o MDB estiver na cabeça de chapa.
Por outro lado quebraria toda iniciativa dos “rebeldes” emedebistas que querem a todo custo está no centro do poder ano que vem, mas também gera um problema com o Republicanos-DF que hoje tem a promessa e até um nome para vice: o jurista Gustavo Rocha.
No tabuleiro de 2026, o gesto teria impacto imediato. Celina consolidaria o centro da base governista. Wellington sairia fortalecido como ponte entre Executivo e Legislativo. E o MDB-DF teria de decidir se prefere disputar poder de forma pragmática ou continuar alimentando uma crise interna que, até aqui, tem feito mais barulho do que voto.




