Pesquisa Correio/OPINIÃO mostra Flávio Bolsonaro e Lula tecnicamente empatados na capital federal; segundo turno e rejeição indicam terreno mais duro para o petista
A disputa presidencial de 2026 no Distrito Federal começa oficialmente sob o signo da polarização. Pesquisa Correio/OPINIÃO Inteligência Política divulgada nesta quinta-feira, 18 de junho, mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 34,2% das intenções de voto na consulta estimulada, contra 31,1% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 3,4 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
O levantamento foi realizado presencialmente entre 11 e 15 de junho, com 1.095 entrevistas, intervalo de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral sob o número DF-08746/2026. A fotografia eleitoral é clara: Brasília permanece dividida entre direita e esquerda, mas os números de segundo turno e de rejeição mostram que o eleitorado local apresenta inclinação mais favorável ao campo conservador.
Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados aos entrevistados, a polarização fica ainda mais evidente. Lula aparece com 27,4%, enquanto Flávio Bolsonaro soma 27,1%. Juntos, os dois concentram mais da metade das citações espontâneas, deixando os demais nomes em patamar distante. É o velho Fla-Flu político brasileiro, só que jogado no gramado seco da Esplanada.
O dado que mais pesa contra Lula está nos cenários de segundo turno. Segundo a pesquisa, o presidente perderia para Flávio Bolsonaro por 45% a 39%. Também aparece atrás de Ronaldo Caiado, por 53,2% a 34,9%, e de Romeu Zema, por 40,3% a 39,2%, neste último caso dentro da margem de erro.
A rejeição reforça esse ambiente. Lula é o nome com maior resistência entre os eleitores do DF: 53,9% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro aparece em seguida, com 46,5% de rejeição. A diferença ajuda a explicar por que, mesmo empatado tecnicamente no primeiro turno, o petista encontra mais dificuldade quando a disputa vai para o confronto direto.
O próprio responsável técnico pelo levantamento, Alexandre Garcia, CEO do OPINIÃO Inteligência Política, atribuiu o desempenho de Lula no DF ao teto provocado pela rejeição e classificou a população local como “liberal e conservadora”. A leitura dialoga com outro recorte da mesma rodada de pesquisas, no qual Celina Leão (PP) lidera a corrida ao Palácio do Buriti, enquanto a direita aparece dividida entre mais de uma candidatura competitiva.
No plano local, esse cenário também conversa com movimentações já registradas pelo DFMobilidade. A aproximação entre Celina Leão e nomes do PL ganhou força quando a governadora declarou apoio a Michelle Bolsonaro e Bia Kicis para o Senado, em movimento que reforçou sua ponte com o eleitorado bolsonarista no DF, como mostrou o DFMobilidade na matéria Celina declara apoio a Michelle e Bia e isola Ibaneis no tabuleiro do Senado.
A força da direita brasiliense também aparece na disputa ao Senado. Pesquisa Correio/OPINIÃO aponta Michelle Bolsonaro (PL) na liderança, com 38,8%, seguida por Leila do Vôlei (PDT), com 30,2%, e Érika Kokay (PT), com 25%. A configuração mostra uma disputa competitiva, mas confirma Michelle como principal nome individual do campo conservador na corrida pelo Senado no DF.
A indefinição sobre o futuro eleitoral de Michelle, porém, segue como peça relevante no tabuleiro. O DFMobilidade já mostrou que a ex-primeira-dama declarou apoio a Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, mas deixou em aberto sua eventual candidatura ao Senado, condicionando decisões ao quadro político e familiar de Jair Bolsonaro, como registrado em Michelle apoia Flávio, mas deixa dúvida sobre candidatura ao Senado.
O empate entre Lula e Flávio no DF também não surge isolado. Em maio, o DFMobilidade já havia publicado que levantamento nacional do Datafolha mostrava os dois empatados em eventual segundo turno, com 45% para cada lado, na matéria Datafolha mostra empate entre Lula e Flávio e acende alerta no Planalto.
A leitura política da pesquisa é direta: o DF não está imune à divisão nacional entre lulismo e bolsonarismo, mas Brasília parece oferecer terreno menos confortável ao presidente. A capital federal mantém eleitorado plural, servidor público numeroso, classe média politizada e forte presença de setores conservadores. Mistura explosiva. Em ano eleitoral, dá mais combustão do que posto em véspera de feriado.
Com menos de quatro meses para o primeiro turno, o levantamento mostra que a eleição presidencial no DF tende a ser decidida no detalhe, mas com uma diferença importante: enquanto Lula mantém base fiel e competitiva, a direita aparece com maior capacidade de expansão em cenários de segundo turno. É nesse ponto que Brasília deixa de ser apenas palco da política nacional e passa a funcionar como termômetro do país.




