O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca para a França para participar da Cúpula do G7 sem expectativa concreta de uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ausência de um encontro formal entre os dois líderes esfria a aposta do Planalto em transformar a viagem numa vitrine de recomposição diplomática com Washington.
Segundo apuração publicada pelo Metrópoles, ministros e auxiliares presidenciais afirmam que o governo brasileiro não fez pedido formal para uma reunião com Trump durante o encontro do G7, em Évian-les-Bains. Nos bastidores, a avaliação é de que, se houver contato entre os dois presidentes, será algo informal, de corredor, no velho estilo “aperto de mão com intérprete correndo atrás”.
A viagem ocorre em meio a uma relação tensa entre Brasília e Washington. O governo Lula tenta reduzir o desgaste provocado por disputas comerciais, tarifas e divergências políticas com os Estados Unidos. No DFMobilidade, o tema já vinha sendo acompanhado em Em carta a Rubio, Flávio pede que EUA não imponham novas tarifas ao Brasil, matéria que mostrou a tentativa do senador Flávio Bolsonaro de se colocar como interlocutor junto ao governo norte-americano.
A Cúpula do G7 será realizada de 15 a 17 de junho, na França, e reunirá líderes de grandes economias industrializadas. O Brasil participa como país convidado. De acordo com o Planalto, Lula terá agenda nos dias 16 e 17, com debates sobre parcerias internacionais, crescimento econômico equilibrado e inteligência artificial.
A presença brasileira no evento, no entanto, chega carregada de simbolismo político. Lula queria usar o palco internacional para reforçar a imagem de liderança global, mas a ausência de uma bilateral com Trump limita o alcance prático da viagem. Em diplomacia, foto oficial ajuda; reunião fechada decide. E, até agora, a segunda parte não apareceu na agenda.
A expectativa por um encontro com Trump havia crescido após declarações de integrantes do governo sobre a necessidade de discutir a relação bilateral e as tarifas impostas ou cogitadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O Correio Braziliense registrou que Lula via no G7 uma oportunidade para tratar diretamente com o republicano sobre as sobretaxas.
O tema comercial deve seguir como um dos pontos sensíveis da viagem. A Agência Brasil destacou que a participação de Lula no G7 ocorre sob expectativa em torno das tarifas dos Estados Unidos e de entraves europeus a produtos brasileiros, como o veto à carne.
No plano internacional, a reunião também será dominada por temas de segurança e crise global. A Reuters informou que guerra na Ucrânia, tensão no Oriente Médio, minerais críticos, migração e desequilíbrios econômicos estarão no centro das conversas entre os líderes.
Para o governo brasileiro, a ida ao G7 ainda serve como tentativa de manter o país no circuito das grandes discussões internacionais. Lula deve defender maior participação de países emergentes em decisões globais e cobrar mudanças na governança mundial. A Agência Brasil informou que o presidente participará pela décima vez de uma cúpula do G7 e deve discursar sobre desenvolvimento e cooperação internacional.
O problema é que o discurso externo de protagonismo encontra um obstáculo objetivo: a relação com os Estados Unidos passa por ruído político e falta de canal direto com Trump. Sem reunião bilateral, Lula chega ao G7 com palco, microfone e plateia — mas sem garantia de conversa com quem realmente poderia destravar parte da crise comercial.
Nos bastidores, auxiliares do Planalto tentam reduzir o peso da ausência de reunião formal e sustentam que os argumentos brasileiros já foram levados aos americanos por outros canais. A Folha de S.Paulo também informou que Lula não fez pedido de encontro com Trump e que o discurso no G7 deve trazer recados aos Estados Unidos.
A viagem, portanto, terá dois planos. No oficial, Lula participará de debates sobre desenvolvimento, inteligência artificial e economia global. No político, tentará mostrar força internacional num momento em que a interlocução com Washington segue travada. Para quem prometeu recolocar o Brasil no centro do mundo, voltar sem conversa com Trump pode não ser desastre diplomático — mas está longe de ser troféu.






