Lula manda Janja a Roma com despesas pagas pelo governo

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva designou a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, para participar da Semana da Nutrição 2026, em Roma, na Itália, entre segunda-feira, 25 de maio de 2026, e quinta-feira, 28 de maio de 2026. O ato foi assinado em 22 de maio e publicado no Diário Oficial da União, com previsão de participação “com ônus”, expressão administrativa que indica despesas custeadas pelo poder público.

Segundo o decreto, Janja foi indicada para o evento a convite do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O documento, no entanto, não informa o valor total da viagem, a composição de eventual comitiva, nem detalha custos com passagens, diárias, hospedagem ou deslocamentos. Transparência, neste caso, parece ter viajado em classe econômica — se é que embarcou.

A Semana da Nutrição 2026 ocorre na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, também com participação on-line. A programação oficial informa que o evento é realizado entre 25 e 28 de maio e tem como tema a construção do futuro da ação conjunta em nutrição em um mundo em transformação.

A página oficial da UN Nutrition informa que a participação no evento é gratuita, mas que os participantes são responsáveis por despesas de viagem e visto, sem previsão de apoio financeiro pela organização. Essa informação reforça que os custos da presença brasileira, quando autorizados “com ônus”, recaem sobre a estrutura do governo federal.

A ida de Janja a Roma reacende o debate sobre o papel institucional da primeira-dama em agendas internacionais. Embora o evento trate de tema relevante, como fome, segurança alimentar e sistemas alimentares, a decisão do governo Lula volta a colocar sob questionamento o uso de recursos públicos em missões externas sem apresentação prévia e detalhada dos custos.

Em um país que ainda cobra eficiência, responsabilidade fiscal e prioridade no gasto público, a presença da primeira-dama em uma agenda internacional precisa ser acompanhada de prestação de contas objetiva. Afinal, quando a conta é pública, o contribuinte não deve ser apenas o convidado invisível da cerimônia.

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