PF fecha a porta para Vorcaro e delação do Caso Master empaca em Brasília
A Polícia Federal rejeitou, nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, a proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a apuração publicada pelo Metrópoles, a decisão foi comunicada à defesa do banqueiro após os investigadores apontarem omissões relevantes no material entregue.
A avaliação da PF é de que a colaboração não trouxe utilidade prática suficiente para avançar nas apurações conduzidas também pela Procuradoria-Geral da República. O ponto mais sensível, segundo a reportagem, seria a tentativa de preservar personagens influentes de Brasília que poderiam ter relação com as fraudes financeiras investigadas. Em português claro: Vorcaro teria falado, mas não o bastante para convencer quem já tem muita coisa na mesa.
A proposta de colaboração já enfrentava resistência. Reportagens anteriores indicavam que a PF e a PGR consideravam fraco o conteúdo apresentado, especialmente pela suposta ausência de detalhes sobre relações com figuras políticas, autoridades e operadores do sistema financeiro. Também pesou a cobrança por maior capacidade de ressarcimento dos prejuízos atribuídos ao escândalo do Banco Master.
O caso ganhou ainda mais tensão após mudanças na situação prisional de Vorcaro. Na segunda-feira, 18 de maio, ele foi transferido para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e passou a ter o acesso dos advogados restringido. A medida ocorreu depois de autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, para que fossem aplicadas as regras ordinárias da unidade.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e monitoramento ilegal ligado ao Banco Master. De acordo com a Agência Brasil, a primeira fase da operação, em novembro de 2025, mirou indícios de fabricação de carteiras de crédito sem lastro financeiro, que teriam sido vendidas ao Banco de Brasília (BRB).
O avanço do caso também pressiona o ambiente político. A Reuters noticiou que as conexões de Vorcaro com personagens da política nacional, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, passaram a ter impacto no debate eleitoral e no mercado financeiro. O senador admitiu ter se reunido com o banqueiro, mas negou irregularidades e afirmou que o contato tratava de um projeto privado ligado a um filme sobre Jair Bolsonaro.
Com a rejeição da delação, a PF sinaliza que não pretende aceitar uma colaboração seletiva, econômica nas revelações e generosa com possíveis aliados de luxo. No Caso Master, a régua parece ter subido: para obter benefícios, não basta entregar nomes periféricos; será preciso abrir o cofre das informações, não apenas o discurso.
A rejeição também mantém em alta a temperatura sobre o BRB e os desdobramentos em Brasília. Como o Banco de Brasília aparece nas apurações sobre operações com ativos do Master, o caso segue com potencial de produzir efeitos políticos, econômicos e institucionais no Distrito Federal.
A delação de Daniel Vorcaro, que poderia ser uma bomba de fragmentação em Brasília, por enquanto virou um rojão molhado. Mas, pelo tamanho do escândalo, ninguém deveria confundir silêncio momentâneo com fim de investigação.
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