Lula tentará frear pressão de Trump para classificar PCC e CV como terroristas

Fotomontagem das redes sociais
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tratar do combate ao crime organizado na reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para quinta-feira, 7 de maio de 2026. O tema ganhou peso diplomático diante da pressão americana para enquadrar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

Segundo informações divulgadas pela Reuters, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou à GloboNews que Brasil e Estados Unidos podem fazer um “trabalho importante no combate ao crime organizado transnacional”. A expectativa do governo brasileiro é avançar em um acordo de cooperação contra o narcotráfico, com troca de informações e ações integradas entre os dois países.

A preocupação de Brasília, porém, está no alcance político e jurídico da eventual classificação das facções como grupos terroristas pelo Departamento de Estado americano. O governo brasileiro teme que a medida abra brecha para sanções, pressões externas e questionamentos sobre soberania nacional em temas de segurança pública.

No Brasil, a Lei nº 13.260/2016, conhecida como Lei Antiterrorismo, trata o terrorismo como crime associado a razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando praticado com finalidade de provocar terror social ou generalizado. A interpretação do governo federal é que facções criminosas voltadas ao lucro, ao tráfico e à lavagem de dinheiro devem ser combatidas como organizações criminosas, não como grupos terroristas.

O assunto já vinha sendo acompanhado pelo DFMobilidade. Em março, o portal publicou a matéria “Brasil tenta barrar plano dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas”, mostrando que o chanceler Mauro Vieira havia conversado com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, para tentar evitar a inclusão das facções brasileiras na lista de organizações terroristas estrangeiras.

O DFMobilidade também registrou, na matéria “EUA podem classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas”, que a eventual decisão americana poderia ampliar sanções financeiras, congelamento de ativos, restrições migratórias e investigações internacionais contra redes ligadas às facções.

Agora, o tema chega ao encontro entre Lula e Trump em novo patamar. A segurança pública, que já é um dos principais problemas internos do Brasil, passa a ter dimensão diplomática. O governo Lula tenta vender a ideia de cooperação sem aceitar o carimbo de terrorismo. Na prática, quer combater o crime organizado, mas sem permitir que Washington assuma o volante da agenda — até porque, em Brasília, quando se entrega o volante, normalmente alguém pergunta quem vai pagar o combustível.

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