Transparência na compra de semáforos expõem disputa entre Obras e Detran

Foto: Divulgação/Detran-DF
Foto: Divulgação/Detran-DF

Uma licitação de R$ 155,8 milhões aberta pela Secretaria de Obras e Infraestrutura colocou os semáforos do Distrito Federal no centro de uma disputa administrativa dentro do próprio GDF. O pregão prevê registro de preços para contratar empresa especializada em sinalização viária, incluindo implantação de sinalização semafórica, vertical e horizontal. No papel, o objetivo é dar suporte às intervenções viárias da pasta; na prática, o edital acendeu a luz amarela sobre a sobreposição de funções com o Detran-DF.

O ponto sensível é que o Detran já havia lançado processo próprio, de R$ 118,5 milhões, para manutenção e modernização do sistema semafórico das vias urbanas do DF. A contratação previa atendimento contínuo, reposição de peças, implantação de novos cruzamentos, sensores, câmeras, alimentação de emergência e monitoramento em tempo real. Como mostrou o DFMobilidade na reportagem Detran-DF abre licitação de R$ 118,5 mi para semáforos inteligentes, a proposta era tirar a capital do modelo reativo e levá-la para uma gestão mais tecnológica do trânsito.

A Secretaria de Obras sustenta que precisa ter autonomia para garantir sinalização nos trechos afetados por obras viárias, especialmente quando não há equipes ou equipamentos disponíveis em outros órgãos no momento da intervenção. O argumento tem lógica operacional: obra sem sinalização é convite ao caos. Mas, no trânsito, autonomia demais sem coordenação vira buzina institucional — e quem paga a conta é o motorista parado no cruzamento.

O caso exige transparência, alinhamento técnico e definição clara de competência para evitar duplicidade de contratos, desperdício de recursos e conflito entre órgãos. Em uma cidade onde eventos, obras e interdições já alteram a rotina viária com frequência, como o DFMobilidade mostrou em Fim de semana tem trânsito alterado no DF, a gestão dos semáforos precisa funcionar como sistema integrado, não como corrida interna por edital. Semáforo bom é o que organiza a cidade; disputa mal explicada só deixa Brasília no amarelo piscante.

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