Goldman Sachs alerta para níveis críticos de combustível refinado em meio à crise global na aviação

Foto: Pixabay
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A guerra no Irã e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz mergulharam a indústria global de aviação em uma crise severa, descrita pelo diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, como “o desafio de segurança energética mais significativo da história”.

Em nota recente, analistas do Goldman Sachs alertaram que os estoques globais de combustíveis refinados, especialmente o querosene de aviação, estão caindo rapidamente para níveis alarmantes.

Regiões da Europa e da Ásia (excluindo a China) são as mais vulneráveis, com destaque para o Reino Unido, que, por não possuir reservas estratégicas, corre um risco iminente de racionamento.

O impacto financeiro no setor aéreo tem sido devastador. A Spirit Airlines encerrou todas as suas operações no último dia 2 de maio, deixando milhares de passageiros desamparados, após o fracasso de um plano de socorro federal de 500 milhões de dólares.

A companhia não resistiu à escalada brutal nos custos operacionais.

O cenário se repete em escala global: a Lufthansa já cancelou 20 mil voos de curta distância até outubro, e 19 das 20 maiores companhias aéreas do mundo reduziram suas malhas para o mês de maio.

A United Airlines projeta um custo adicional de 11 bilhões de dólares com combustível neste ano, o que deve encarecer as passagens aéreas entre 15% e 20%.

Com a disparada nas tarifas aéreas e a redução na oferta de voos, muitos viajantes estão migrando para o transporte rodoviário, gerando uma reação em cadeia.

Esse movimento aumenta a demanda por gasolina exatamente no momento em que a oferta também está estrangulada pelo conflito.

Nos Estados Unidos, o preço médio do galão já ultrapassou a marca de US$ 4,20, uma alta de 42% desde o início da guerra.

O querosene de aviação teve seu preço duplicado, encostando nos US$ 200 por barril, enquanto o petróleo tipo Brent acumula alta superior a 50%.

Segundo o Goldman Sachs, mesmo que a rota no Oriente Médio seja reaberta imediatamente, levará semanas até que a cadeia de suprimentos seja normalizada.

O Estreito de Ormuz é o maior “gargalo” energético do planeta, por onde escoa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo.

Quando essa passagem é bloqueada por um conflito geopolítico, o choque não ocorre apenas no preço do petróleo cru, mas em toda a cadeia de refino global.

O petróleo bruto precisa ser processado nas refinarias para se transformar em produtos específicos, como a gasolina, o diesel e o querosene de aviação.

Quando o fluxo de matéria-prima é interrompido, as refinarias reduzem a produção.

O setor aéreo é o primeiro a colapsar porque as companhias aéreas operam com margens de lucro extremamente estreitas e não têm como estocar grandes volumes de querosene. Uma alta repentina dobra o custo do voo de um dia para o outro.

Companhias com menor fôlego financeiro, como a Spirit, acabam falindo, enquanto as maiores repassam o custo para a passagem ou cancelam rotas.

A crise se agrava porque a falta de aviões joga os passageiros para as rodovias, aumentando o consumo de gasolina justamente quando as refinarias também não conseguem produzi-la em quantidade suficiente, gerando uma inflação generalizada nos transportes.

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