Ministério do Trabalho inclui BYD em lista por trabalho análogo à escravidão

Foto: Divulgação/BYD
Foto: Divulgação/BYD

O Ministério do Trabalho colocou ⁠a montadora chinesa BYD em seu cadastro de empresas ‌que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, segundo documento publicado pela pasta.

A decisão acontece após um escândalo em ‌2024 no qual trabalhadores chineses teriam sido vítimas de tráfico humano e contratos abusivos.

A lista acarreta mais riscos à reputação da montadora em seu maior mercado depois da China.

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Ela também impede a BYD de obter certos tipos de empréstimos de ⁠bancos ‌brasileiros, mas não afeta a operação de sua única fábrica ⁠de automóveis no país, para a qual os trabalhadores foram contratados.

A BYD não respondeu a um pedido de comentário.

O Jinjiang Group, que a BYD usou para contratar os 163 trabalhadores citados no escândalo, negou as alegações. ​A BYD já havia dito anteriormente que não tinha conhecimento de nenhuma violação até as reportagens da mídia brasileira ​no final de novembro.

As autoridades brasileiras argumentaram que a BYD é, em última instância, responsável pelas condições de seus trabalhadores, pois deveria estar supervisionando seus prestadores de serviços.

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Alojamento lotado, sem colchões

Os trabalhadores chineses contratados pela Jinjiang no Brasil ‌tiveram que entregar seus passaportes ao novo ​empregador, permitir que a maior parte de seus salários fosse enviada diretamente para a China e pagar um depósito de quase US$900 que só ⁠poderia ser devolvido ​após seis meses ​de trabalho, de acordo com um contrato de trabalho visto pela Reuters.

Uma inspeção ⁠também encontrou os trabalhadores vivendo amontoados ​em alojamentos sem colchões. Trinta e um trabalhadores foram colocados em uma única casa com apenas um banheiro e comida empilhada ​no chão ao lado de pertences pessoais, no que foi considerado ‘condições degradantes’.

O escândalo causou indignação internacional, inclusive ​na China, e ⁠levou a um atraso de meses na construção da fábrica.

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Mas a BYD parecia ter ⁠deixado o escândalo para trás, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participando da inauguração da fábrica em outubro, em uma demonstração do fortalecimento dos laços entre o Brasil e a China.

Desde então, a fábrica já produziu mais de 25.000 ​veículos.

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