Os juros do cartão de crédito no Brasil voltaram a subir e atingiram impressionantes 435,9% ao ano em fevereiro, segundo dados do Banco Central do Brasil. A alta foi puxada pelo chamado crédito rotativo — modalidade acionada quando o consumidor não paga o valor total da fatura — e reforça um cenário de forte pressão sobre o orçamento das famílias.
O aumento foi de 11,4 pontos percentuais apenas no mês, consolidando o rotativo como uma das linhas mais caras do sistema financeiro. Na prática, quem entra nessa modalidade passa a financiar a dívida com taxas extremamente elevadas, o que pode transformar pequenos valores em uma bola de neve difícil de controlar.
Além do rotativo, o cartão parcelado também ficou mais caro, com juros que já ultrapassam 200% ao ano. O resultado é direto: crédito mais caro, consumo retraído e famílias cada vez mais endividadas.
Os números ajudam a dimensionar o problema. A taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 62% ao ano, enquanto quase metade da renda das famílias brasileiras já está comprometida com dívidas. Em média, cerca de 29% da renda mensal vai apenas para pagar parcelas de empréstimos e financiamentos.
Outro efeito colateral inevitável é o avanço da inadimplência. O índice de atrasos já atinge 4,3% das operações, com impacto ainda maior entre pessoas físicas. O dado reforça o alerta: o crédito fácil, quando combinado com juros estratosféricos, vira um risco concreto para milhões de brasileiros.
Mesmo com medidas anteriores para limitar os encargos do rotativo, os juros continuam elevados porque as taxas são definidas no momento da contratação. Ou seja, a trava existe, mas não impede que o custo inicial seja abusivo — uma espécie de “controle que não controla”.
Diante desse cenário, o próprio governo federal já admite rever as regras. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou estudos para criar novos limites ao rotativo, reconhecendo que os níveis atuais são difíceis de justificar.
Enquanto isso, para o consumidor, a matemática é simples — e cruel: pagar apenas o mínimo da fatura pode custar várias vezes o valor original da dívida. No fim das contas, o cartão de crédito, que deveria ser uma ferramenta de conveniência, segue operando como um dos mecanismos mais eficientes de endividamento no país.
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