A decisão de atacar o Irã começou a cobrar um preço político dentro do próprio governo dos Estados Unidos. O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joseph Kent, pediu demissão nesta terça-feira (17), em um gesto raro e explosivo contra a estratégia adotada pela Casa Branca.
Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, Kent deixou o cargo em protesto direto contra a ofensiva militar liderada pelos EUA em conjunto com Israel. Em carta enviada ao presidente Donald Trump, o agora ex-chefe de contraterrorismo afirmou que o Irã “não representava uma ameaça iminente”, contrariando a justificativa oficial para o conflito.
A crítica vai além. Kent sustenta que a guerra teria sido impulsionada por pressão externa e por informações distorcidas — uma acusação pesada que reacende memórias da controversa Guerra do Iraque, frequentemente citada como exemplo de erro estratégico baseado em inteligência questionável.
Nos bastidores, o episódio escancara fissuras dentro do governo americano. Enquanto parte da administração sustenta a necessidade da ofensiva, outras figuras — inclusive dentro da ala conservadora — demonstram desconforto com os rumos da política externa.
A reação do entorno de Trump foi imediata e agressiva. Kent passou a ser tratado como desleal, numa tentativa de descredibilizar sua saída. Ainda assim, o gesto do ex-diretor é simbólico: trata-se da primeira renúncia de alto escalão diretamente ligada à guerra contra o Irã.
O conflito, iniciado no fim de fevereiro, já provoca impactos políticos e humanitários relevantes, e agora entra em uma nova fase — não apenas nos campos de batalha, mas também dentro dos corredores de poder em Washington.
No fim das contas, quando o chefe do contraterrorismo decide sair batendo a porta, o recado é claro: a guerra pode até ser externa, mas o desgaste já virou doméstico.




