O lucro líquido da gigante alemã sofreu uma queda drástica de um terço em comparação ao exercício anterior, estacionando na marca de dois bilhões de euros.
O recuo expressivo é um reflexo direto da imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos e do clima de incerteza macroeconômica gerado pelas políticas da atual administração norte-americana, fatores que asfixiaram a demanda no maior e mais lucrativo mercado individual da companhia.
O lucro operacional ajustado da fabricante registrou uma retração de dezenove por cento, recuando para três bilhões e setecentos e oitenta milhões de euros.
A receita consolidada do grupo, que ainda contabiliza a recém-separada unidade Mitsubishi Fuso, encolheu nove por cento, fechando o ano com quarenta e nove bilhões e quatrocentos milhões de euros.
A presidência executiva da montadora, sob o comando de Karin Radstrom, avaliou o balanço como resultado de um ambiente de negócios altamente desafiador, ressaltando os esforços internos para sustentar o desempenho operacional frente às adversidades geopolíticas.
A divisão da América do Norte, que controla marcas de peso como Freightliner e Western Star, foi o epicentro da crise financeira da montadora.
O volume de vendas unitárias na região despencou vinte e seis por cento, totalizando cento e quarenta e um mil, oitocentos e quatorze caminhões e ônibus comercializados, um recuo severo frente às mais de cento e noventa mil unidades entregues no ano anterior.
A receita norte-americana desabou vinte e um por cento, arrastando o lucro do segmento para uma queda de trinta e cinco por cento, muito embora a divisão tenha conseguido sustentar uma margem de rentabilidade de dez vírgula sete por cento, índice que ainda supera o das operações mantidas na Europa e na Ásia.
A paralisação nas linhas de crédito e a postergação de renovação de frotas por parte dos clientes foram motivadas pelas políticas tarifárias erráticas implementadas em Washington.
O impacto líquido das taxas de importação custou centenas de milhões de euros aos cofres da empresa ao longo do ano, forçando a filial norte-americana a demitir aproximadamente dois mil funcionários do setor de produção para readequar a capacidade instalada aos novos volumes de mercado.
Apesar da forte desaceleração acumulada no balanço anual, o relatório corporativo sinalizou uma melhora pontual na dinâmica de negócios na reta final do calendário.
O volume de pedidos recebidos no quarto trimestre saltou treze por cento em relação ao mesmo período do ano anterior, tracionado por um princípio de recuperação de frota tanto na América do Norte quanto na unidade de caminhões da Mercedes-Benz na Europa.
O ambicioso programa de eficiência operacional implementado no continente europeu, que projeta economizar mais de um bilhão de euros até dois mil e trinta por meio do corte de milhares de postos de trabalho na Alemanha, avança à frente do cronograma estipulado.
A reestruturação já garantiu mais de cem milhões de euros em economia líquida, com a expectativa de poupar outros duzentos e cinquenta milhões neste ano. Diante desse esforço de contenção, a diretoria propôs a manutenção de um dividendo estável de um euro e noventa centavos por ação.
Para dois mil e vinte e seis, a projeção financeira estima uma receita industrial variando entre quarenta e dois bilhões e quarenta e seis bilhões de euros, com o comando financeiro da empresa alertando que qualquer recuperação consistente dependerá intrinsecamente do abrandamento da política comercial e protecionista dos Estados Unidos.




