O Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira, 29 de abril de 2026, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. O resultado impôs ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma das derrotas políticas mais duras de seu atual mandato e rompeu um padrão institucional que atravessava mais de um século.
Messias recebeu 34 votos favoráveis, 42 votos contrários e uma abstenção. Para ser aprovado, precisava de ao menos 41 votos favoráveis no plenário do Senado. A sessão contou com a presença de 79 dos 81 senadores. Ou seja: o governo não apenas perdeu; perdeu com placar claro, em votação de alta exposição política.
A rejeição é considerada histórica porque, desde a redemocratização, nenhuma indicação presidencial ao STF havia sido barrada pelo Senado. Segundo o Poder360, a última vez que uma indicação ao Supremo deixou de ser aprovada ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto, nos primeiros anos da República. Na prática, Lula entrou para uma estatística que nenhum presidente recente gostaria de inaugurar.
Jorge Messias havia sido escolhido para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. A indicação foi anunciada por Lula em 20 de novembro, mas a mensagem oficial só chegou ao Senado em 1º de abril. A sabatina ocorreu 160 dias depois do anúncio, em meio a forte desgaste político e a uma articulação governista que, pelo resultado, ficou mais no discurso do que no voto.
Mais cedo, o nome de Messias havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça. No plenário, porém, o cenário mudou. A resistência de senadores, a atuação da oposição e o mal-estar acumulado entre o Palácio do Planalto e setores da cúpula do Senado foram decisivos para a derrota. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, segundo o Poder360, atuou pela rejeição da indicação.
O episódio expõe a fragilidade da articulação política do governo Lula no Congresso. A escolha de Messias, em vez de um nome mais palatável a senadores influentes, abriu uma fissura entre o Planalto e parte da Casa. O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, também lembrado para a vaga, era defendido por parlamentares com peso político relevante.
Com a rejeição, Lula terá de indicar outro nome ao Supremo. A nova escolha, no entanto, já nasce sob pressão. O governo precisará reconstruir pontes no Senado, medir melhor o ambiente político e evitar repetir uma aposta que acabou transformando uma vaga no STF em vitrine de derrota.
O recado do Senado foi direto: para ocupar uma cadeira no Supremo, não basta apenas a confiança do presidente da República. É preciso ter votos. E, desta vez, o governo Lula descobriu isso da forma mais amarga possível.
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